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Portugal já investe 2,01% do Produto Interno Bruto (PIB) em Defesa, ultrapassando a meta de 2% estabelecida pela NATO, anunciou esta quarta-feira o ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, durante uma audição regimental na Assembleia da República.
Segundo o governante, a confirmação foi feita pela própria Aliança Atlântica e permite a Portugal apresentar-se na próxima cimeira da NATO, marcada para Ancara, com os compromissos assumidos cumpridos.
"Estamos a dias de partir para a cimeira de Ancara e levamos na bagagem a certeza de que Portugal atingiu e até superou o investimento na Defesa Nacional de 2% do PIB. Na verdade, atingimos um valor agora confirmado pela NATO de 2,01%", afirmou, citado pela agência Lusa.
Na intervenção inicial, Nuno Melo sublinhou que o resultado foi alcançado "apesar da revisão em alta por duas vezes do PIB", defendendo que Portugal "pode agora orgulhar-se de dizer que cumpre os compromissos que assume".
Defesa representou 6,1 mil milhões de euros
Durante a audição, em resposta ao deputado do PS Luís Dias, o ministro revelou que Portugal investiu 6,1 mil milhões de euros em Defesa durante o último ano.
Segundo detalhou, 4,1 mil milhões de euros correspondem ao orçamento do Ministério da Defesa Nacional. A este montante somam-se 1,16 mil milhões de euros inscritos no Ministério das Finanças, 266 milhões de euros no Ministério da Administração Interna, 63 milhões de euros no Ministério dos Negócios Estrangeiros e 558 milhões de euros distribuídos por outros ministérios.
Meta dos 2% é apenas o primeiro objetivo
Apesar de considerar cumprido o compromisso assumido em 2014 pelos aliados da NATO, Nuno Melo recordou que a meta dos 2% representa apenas uma primeira etapa.
O ministro destacou que, na cimeira realizada em Haia, no ano passado, os países da Aliança comprometeram-se a aumentar progressivamente o investimento em Defesa para 5% do PIB.
Segundo o governante, Portugal manterá o compromisso de cumprir as responsabilidades assumidas no âmbito da NATO, nomeadamente no desenvolvimento de uma brigada média, no reforço das capacidades de guerra antissubmarina e na defesa aérea.
Europa prepara-se para maior responsabilidade na NATO
Numa análise ao atual contexto internacional, Nuno Melo considerou que os Estados Unidos estão a reduzir parte do apoio e das capacidades disponibilizadas à NATO devido a razões geopolíticas.
Nesse cenário, afirmou, os aliados europeus e o Canadá têm vindo a reforçar significativamente o investimento em Defesa.
Segundo o ministro, a quota de investimento destes países passou de cerca de 27% para perto de 40%, o que demonstra, na sua perspetiva, uma preparação para um cenário em que a Europa e o Canadá terão de assumir um papel mais relevante na segurança coletiva da Aliança Atlântica.