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O Presidente da República, António José Seguro, assinalou o Dia do Trabalhador com uma mensagem centrada nos desafios atuais do mundo laboral, deixando um aviso claro: “Nunca aceitarei em silêncio que quem trabalha não consiga viver com dignidade”.
Na mensagem divulgada esta quinta-feira, o chefe de Estado sublinha o papel central do trabalho na sociedade. “É através do trabalho que cada um de nós constrói a sua vida, afirma a sua dignidade e contribui para a comunidade em que se insere”, afirma, acrescentando que o 1.º de Maio é também “a afirmação de que a dignidade do trabalho é inseparável da dignidade humana”.
O Presidente traça depois um retrato de um tempo marcado por incerteza. “Este ano, o Dia do Trabalhador encontra-nos num tempo de muitas inquietações”, refere, apontando fatores como as guerras, a desaceleração económica e o aumento do custo de vida.
Sobre o impacto da inflação, deixa um diagnóstico direto: “A inflação corrói o salário antes de ele chegar ao fim do mês”. Ao mesmo tempo, alerta para as mudanças profundas no mercado de trabalho, sublinhando que “a inteligência artificial e a robótica estão a transformar o mundo do trabalho a uma velocidade que nenhuma geração anterior conheceu”.
A precariedade surge como outra das preocupações centrais. “A precariedade instalou-se em demasiados contratos, em demasiadas vidas, como se fosse uma inevitabilidade”, afirma, rejeitando essa ideia e lembrando que “a experiência revela que as decisões políticas podem moldar os resultados”.
Na mesma linha, o Presidente insiste que “o trabalho tem de compensar – tem de pagar a renda, a alimentação e o futuro dos filhos”, reforçando a necessidade de garantir condições de vida dignas a quem trabalha.
A mensagem termina com um reconhecimento direto aos trabalhadores portugueses, dentro e fora do país. “A todos os trabalhadores portugueses, em Portugal ou na diáspora, o meu reconhecimento e o meu respeito”, afirma, reiterando o compromisso da Presidência com estas causas.
Num contexto de pressão económica e transformação acelerada do emprego, o chefe de Estado reforça assim o simbolismo do 1.º de Maio como momento de reflexão e exigência social.