quinta-feira, 12 fev. 2026

Não-socialistas apoiam Seguro contra Ventura na segunda volta presidencial

Centenas de figuras do centro-direita português assinam manifesto inédito contra o candidato do Chega, acusando-o de "falta de sentido de Estado" e posições inconstitucionais
Não-socialistas apoiam Seguro contra Ventura na segunda volta presidencial

Num gesto sem precedentes na democracia portuguesa, mais de 300 personalidades do campo não-socialista declararam publicamente o seu voto em António José Seguro para travar André Ventura na segunda volta das presidenciais de 2026.

O manifesto, assinado por antigos ministros, deputados, autores e académicos de direita e centro-direita, rejeita tanto "o estilo como a substância" do candidato do Chega, acusando-o de "manifesta falta de sentido de Estado" e de não pretender ser "Presidente de todos os portugueses".

Críticas duras ao programa de Ventura

Os signatários enumeram uma série de propostas do Chega que consideram inconstitucionais: confinamentos étnicos, sanções penais degradantes, possível regresso à pena de morte, cidadania revogável, proibição de críticas à magistratura e estigmatização de comunidades imigrantes.

"André Ventura não apresenta condições objetivas nem subjetivas para exercer o mais alto cargo do Estado", afirma o documento, que reconhece discordâncias ideológicas com Seguro mas valoriza o seu "percurso político de moderação, honestidade e dignidade".

Quem assina o manifesto

Entre os subscritores destacam-se:

  • António d'Orey Capucho, ex-ministro, deputado e conselheiro de Estado

  • Arlindo Cunha, ex-ministro da Agricultura

  • Carlos Carreiras, ex-presidente da Câmara de Cascais

  • Ricardo Rio, antigo presidente da Câmara de Braga

  • Isabel Corte-Real, ex-secretária de Estado

  • Henrique Raposo, escritor e comentador

  • Miguel Esteves Cardoso, escritor

  • José Pacheco Pereira, historiador

  • Miguel Poiares Maduro, professor universitário e ex-ministro

  • Hélder Sousa Silva, deputado europeu

  • David Justino, ex-ministro da Educação

  • Daniel Proença de Carvalho, diretor de campanha de Freitas do Amaral em 1986

O documento estabelece um paralelo com 1986, mas sublinha as diferenças: "Em 1986, os portugueses escolheram entre um moderado de esquerda e um moderado de direita; em 2026, enfrentam-se um candidato do centro-esquerda e outro das direitas radicais."

Esta é apenas a segunda vez na democracia portuguesa que as presidenciais vão a segunda volta, reforçando o caráter histórico deste sufrágio.