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Num gesto sem precedentes na democracia portuguesa, mais de 300 personalidades do campo não-socialista declararam publicamente o seu voto em António José Seguro para travar André Ventura na segunda volta das presidenciais de 2026.
O manifesto, assinado por antigos ministros, deputados, autores e académicos de direita e centro-direita, rejeita tanto "o estilo como a substância" do candidato do Chega, acusando-o de "manifesta falta de sentido de Estado" e de não pretender ser "Presidente de todos os portugueses".
Críticas duras ao programa de Ventura
Os signatários enumeram uma série de propostas do Chega que consideram inconstitucionais: confinamentos étnicos, sanções penais degradantes, possível regresso à pena de morte, cidadania revogável, proibição de críticas à magistratura e estigmatização de comunidades imigrantes.
"André Ventura não apresenta condições objetivas nem subjetivas para exercer o mais alto cargo do Estado", afirma o documento, que reconhece discordâncias ideológicas com Seguro mas valoriza o seu "percurso político de moderação, honestidade e dignidade".
Quem assina o manifesto
Entre os subscritores destacam-se:
António d'Orey Capucho, ex-ministro, deputado e conselheiro de Estado
Arlindo Cunha, ex-ministro da Agricultura
Carlos Carreiras, ex-presidente da Câmara de Cascais
Ricardo Rio, antigo presidente da Câmara de Braga
Isabel Corte-Real, ex-secretária de Estado
Henrique Raposo, escritor e comentador
Miguel Esteves Cardoso, escritor
José Pacheco Pereira, historiador
Miguel Poiares Maduro, professor universitário e ex-ministro
Hélder Sousa Silva, deputado europeu
David Justino, ex-ministro da Educação
Daniel Proença de Carvalho, diretor de campanha de Freitas do Amaral em 1986
O documento estabelece um paralelo com 1986, mas sublinha as diferenças: "Em 1986, os portugueses escolheram entre um moderado de esquerda e um moderado de direita; em 2026, enfrentam-se um candidato do centro-esquerda e outro das direitas radicais."
Esta é apenas a segunda vez na democracia portuguesa que as presidenciais vão a segunda volta, reforçando o caráter histórico deste sufrágio.