“Não há portugueses puros”, diz Marcelo Rebelo de Sousa

Numa intervenção em Estrasburgo, o Presidente da República defendeu que a identidade nacional resulta de séculos de cruzamento de culturas, lembrando que Portugal nasceu europeu, mas construiu-se com influências de vários continentes.
“Não há portugueses puros”, diz Marcelo Rebelo de Sousa

O Presidente da República afirmou esta quarta-feira, no Parlamento Europeu, que a identidade portuguesa assenta na diversidade e no encontro de povos, rejeitando a ideia de uma origem homogénea da nação.

Intervindo numa sessão solene que assinalou os 40 anos da adesão de Portugal e Espanha à então Comunidade Económica Europeia (CEE), Marcelo Rebelo de Sousa sublinhou que o Reino de Portugal nasceu no espaço europeu, a partir de linhagens ligadas a outros reinos do continente.

O chefe de Estado recordou que D. Afonso Henriques tinha ligações familiares ao Reino de Leão, que mais tarde viria a integrar o atual território espanhol, e à Borgonha, região que desempenhou um papel determinante na formação do Reino de França. Uma herança que, frisou, confirma a matriz europeia do país desde a sua fundação.

No entanto, Marcelo destacou que essa base inicial se foi transformando ao longo do tempo. “Mas nasceu também de linhagens vindas de outras Europas, do Norte, do Sul, do Oeste e do Leste. E de África e das Ásias. Mais tarde, das Américas e das Oceanias. Num caldo de etnias, culturas e religiões”, afirmou.

Foi neste contexto que deixou uma das mensagens centrais do discurso: “Não há portugueses puros. Há portugueses diversos, na sua riqueza cultural”, uma declaração que mereceu aplausos de vários eurodeputados presentes no hemiciclo.

O Presidente da República acrescentou que os portugueses são europeus “na língua, na cultura e na História”, sublinhando que essa pertença europeia não é contraditória com a abertura ao mundo. Pelo contrário, disse, explica a dimensão universal da identidade portuguesa.

“Porque europeus, universais”, concluiu Marcelo Rebelo de Sousa.