O primeiro-ministro voltou a segurar a ministra da Saúde, assegurando que a responsabilidade política pela situação que se vive no setor é sua. «Os problemas da saúde não se resolvem com demissões nem com jogadas políticas e politico-partidárias. Resolvem-se com convicção, com competência, com insistência, com resiliência e é para isso que este Governo, este primeiro-ministro e a ministra da Saúde estão no Governo e vão continuar no Governo», afirmou Luís Montenegro, durante o debate quinzenal na Assembleia da República.
A garantia surge depois da polémica em torno de três mortes que ocorreram, desde terça-feira, à espera por meios de socorro do INEM. O primeiro caso ocorreu na terça-feira, em que um homem de 78 anos morreu no Seixal, após de ter estado quase três horas à espera de socorro. Já esta quinta-feira de manhã, novamente no Seixal, uma mulher acabou por falecer, depois de ter estado 44 minutos a aguardar por uma equipa de socorro, acabando por ser acionada para o local uma ambulância dos Bombeiros de Carcavelos, a 35 quilómetros da ocorrência. O último caso foi de um homem de 68 anos que esteve mais de uma hora à espera dos meios de socorro, em Tavira.
Montenegro deixou a garantia que o Executivo que lidera está «a resolver os problemas estruturais da saúde, a reforçar os meios disponíveis, a tomar as medidas legislativas que conferem maior capacidade de gestão, a ter efetivamente ganhos na eficiência do sistema, que apesar das dificuldades, responde com mais rapidez que há um ano», revelando ainda que foi aprovada a compra de 275 novas viaturas para o INEM – 63 ambulâncias, 34 VMER e 78 outros veículos – um investimento de 16,8 milhões de euros.
Trata-se, de acordo com o primeiro-ministro, «do maior investimento na última década», recordando que nos últimos 10 anos foram comprados «apenas 100 veículos», num investimento de 4,8 milhões. «Em 10 anos foi investido um quarto do que este Governo decidiu ontem investir», revelou.
O Ministério Público já está a investigar uma das mortes e o presidente do INEM tem vindo a afirmar que irá garantir a transparência na análise dos casos de mortes ocorridas enquanto as vítimas aguardavam por socorro e assegurou que todas as situações de eventuais falhas serão averiguadas. Luís Cabral disse ainda que, em ocorrências anteriores, as averiguações permitiram concluir, em alguns casos, que não existia responsabilidade direta do instituto.