O primeiro-ministro afirmou esta segunda-feira que existe uma “perceção de caos” no Serviço Nacional de Saúde (SNS), mas garantiu que essa ideia “não corresponde à realidade”. Luís Montenegro argumentou que os tempos de espera nos hospitais são atualmente “os melhores dos últimos cinco anos”.
O chefe do Governo discursava na cerimónia de inauguração da sede da Direção Executiva do SNS, criada em 2022, reconhecendo que se vive “um tempo estranho” marcado por uma “absoluta desproporção” entre o trabalho desenvolvido pelos profissionais de saúde e a cobertura mediática sobre o setor.
“Somos todos os dias confrontados com uma perceção de caos, de crise, de problema permanente. Eu não quero, com isto, diminuir os casos na base dos quais esta perceção é criada. O que eu tenho a obrigação, em nome também dos prestadores de serviços, dos profissionais, é dizer que, felizmente para todos nós, isso não é a realidade que os mais de 150 mil atos diários dos profissionais do SNS enfrentam todos os dias”, afirmou.
De acordo com a agência Lusa, Montenegro alertou para o risco das generalizações e sustentou que, apesar de um contexto particularmente exigente, os indicadores de desempenho melhoraram.
“Os tempos de espera nas urgências em Portugal este ano são mais baixos do que no ano passado, mais baixos do que há dois, três, quatro e cinco anos. São os melhores dos últimos cinco anos”, disse, frisando ainda assim que “não é motivo para complacência”.
“Num ano em que o nível de adversidade não tem comparação com os anos anteriores, os resultados são melhores do ponto de vista do desempenho”, acrescentou.
O primeiro-ministro elogiou a atuação da ministra da Saúde, Ana Paula Martins, afirmando que tem demonstrado “um nível de competência e de resistência notáveis”, e apontou fatores estruturais que ajudam a explicar as dificuldades do SNS.
Entre estes, destacou a saída de profissionais qualificados para o estrangeiro e o aumento da procura resultante do crescimento da população residente. “O SNS vê muitos dos seus quadros migrarem e, ao mesmo tempo, vê ingressar no país muitos migrantes que têm, legitimamente, direito a cuidados de saúde”, referiu.
Segundo Luís Montenegro, o aumento do número de utentes está “diretamente relacionado com os ciclos migratórios dos últimos anos”, constituindo um desafio novo para um sistema que “não estava tão habituado a esta pressão adicional”.
A nova sede da Direção Executiva do SNS fica localizada no Porto, num edifício próprio, deixando de funcionar provisoriamente nas instalações do Hospital de São João.