terça-feira, 18 ago. 2026

Montenegro reforça controlo nas fronteiras do sul, mas rejeita suspender Schengen devido à crise em Ceuta

O primeiro-ministro anunciou um reforço da vigilância nas fronteiras marítima e terrestre do sul de Portugal devido à crise migratória em Ceuta, mas recusou suspender o Espaço Schengen, defendendo uma resposta "equilibrada" e sem "histeria"

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, anunciou esta sexta-feira um reforço da presença das forças de segurança nas fronteiras marítima e terrestre do sul de Portugal, na sequência da crise migratória em Ceuta, mas afastou qualquer hipótese de suspensão das regras do Espaço Schengen.

Em declarações aos jornalistas, em Vila do Conde, o chefe do Governo afirmou que a situação "é grave", mas considerou que não existem motivos para adotar medidas mais drásticas, como defende o presidente do Chega, André Ventura.

"Creio que não há razão para podermos tomar nenhuma medida de suspensão das regras do Espaço Schengen, mas há razões para podermos reforçar a presença das forças de autoridade no controlo de fronteiras", afirmou.

Reforço de vigilância no sul do país

Segundo Luís Montenegro, o reforço da vigilância incidirá sobretudo na fronteira marítima e terrestre do sul de Portugal, por ser a zona mais próxima de Ceuta e da atual pressão migratória.

O primeiro-ministro classificou esta resposta como "equilibrada" e adequada às circunstâncias, sublinhando que o Governo acompanha permanentemente a evolução da situação em articulação com as autoridades espanholas e marroquinas.

De acordo com o chefe do Executivo, Espanha e Marrocos estão a desenvolver um esforço conjunto de repatriamento dos migrantes que atravessaram a fronteira para Ceuta, tendo já regressado a território marroquino 48.300 pessoas, segundo o balanço mais recente.

"Não é necessário entrar em histeria"

Luís Montenegro apelou à serenidade perante a crise migratória, defendendo que as decisões devem ser tomadas com ponderação.

"A questão é grave, merece acompanhamento, mas creio que não é necessário entrar em histeria e lançar para o ar, a todo o momento, decisões que devem ser ponderadas, amadurecidas e enquadradas com realismo na situação", afirmou.

Sem mencionar diretamente André Ventura, o primeiro-ministro recusou comentar as posições do líder do Chega, limitando-se a afirmar que falava "para toda a gente".

Montenegro acrescentou que responder a cada crise com medidas extremas não contribui para transmitir confiança aos cidadãos.

"Se a cada coisa que acontece é sempre preciso fazer tudo e um par de botas, não temos condições de dar tranquilidade, segurança e serenidade à vida de todos nós", declarou.

Governo defende migração regulada

O primeiro-ministro reiterou que Portugal continuará a defender uma política migratória assente na legalidade e na integração, em linha com o Pacto Europeu para a Migração e Asilo.

Segundo Luís Montenegro, é necessário evitar políticas que possam criar um "efeito de chamada" para a imigração irregular, ao mesmo tempo que se asseguram condições de integração para quem entra legalmente no país.

O chefe do Governo lamentou ainda a perda de vidas humanas associada às rotas migratórias irregulares e apelou ao reforço do combate às redes de tráfico de pessoas que exploram migrantes em direção à Europa.