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O primeiro-ministro, Luís Montenegro, admitiu esta quarta-feira que os problemas registados no processo de digitalização da correção dos exames nacionais tiveram impacto no calendário das classificações e no concurso de acesso ao ensino superior. Ainda assim, assegurou que a situação está estabilizada.
"Creio que estão reunidas as condições para podermos dizer que o pior já passou, que as garantias de rigor e de equidade no processo estão salvaguardadas", afirmou o chefe do Governo, durante uma conferência de imprensa em Atenas, após uma reunião com o primeiro-ministro grego, Kyriákos Mitsotákis.
Governo admite impacto da digitalização
Montenegro reconheceu que a implementação do novo sistema de correção digital enfrentou dificuldades que acabaram por afetar a divulgação das notas e, consequentemente, o processo de candidatura ao ensino superior.
"Teve os problemas conhecidos, que tiveram um impacto na dinâmica quer da publicitação das notas, quer do processo agora de candidatura nomeadamente ao Ensino Superior", afirmou.
Apesar dos constrangimentos, o primeiro-ministro reiterou que o Governo pretende prosseguir e concluir o processo de digitalização, considerando que representa uma evolução positiva para o sistema educativo.
"O pior já passou"
O chefe do Governo sublinhou que as preocupações manifestadas pelo Presidente da República foram sempre partilhadas pelo executivo e pelo ministro da Educação.
"Mas quero apenas dizer que as preocupações do senhor Presidente da República foram também sempre as preocupações do Governo e do senhor ministro da Educação e que creio que estão reunidas as condições para podermos dizer que o pior já passou, que as garantias de rigor e de equidade no processo estão salvaguardadas", afirmou.
Montenegro mostrou-se ainda confiante de que a segunda fase dos exames decorrerá com menos perturbações.
"Espero que esta segunda fase em que já nos encontramos possa ter muito menos perturbação do que teve a primeira", disse, acrescentando que a maioria dos agentes do setor considera que a digitalização traz "mais rigor, mais transparência, mais rapidez" ao processo de avaliação e acesso ao ensino superior.
Mensagem de Seguro reforçou exigência
As declarações de Luís Montenegro surgem um dia depois de o Presidente da República, António José Seguro, ter exigido que fosse assegurado o princípio da igualdade no acesso ao ensino superior.
Numa mensagem divulgada após a reunião semanal com o primeiro-ministro, o chefe de Estado defendeu que "os acontecimentos registados nas últimas semanas no processo de realização e classificação dos exames nacionais geraram uma compreensível preocupação e ansiedade entre milhares de alunos, famílias e professores".
Seguro considerou ainda que o Estado deve reconhecer e explicar as falhas verificadas e retirar lições deste processo, defendendo a criação de mecanismos que evitem novos constrangimentos, sobretudo durante a segunda fase dos exames nacionais.