sexta-feira, 10 jul. 2026

Montenegro diz que SNS é “a trave mestra” da saúde e pede cooperação entre público, privado e social

O primeiro-ministro afirmou, em Gaia, que o Serviço Nacional de Saúde é “o esteio” do sistema de saúde português, mas defendeu que a qualidade dos cuidados depende da cooperação entre os setores público, privado e social. Luís Montenegro inaugurou o novo heliporto e a Unidade de Ressonância Cardíaca do Hospital Eduardo Santos Silva
Montenegro diz que SNS é “a trave mestra” da saúde e pede cooperação entre público, privado e social

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, afirmou esta segunda-feira que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) continua a ser “a trave mestra” do sistema de saúde português, defendendo, no entanto, uma maior articulação entre os setores público, privado e social para garantir a sustentabilidade e a qualidade dos cuidados.

“O SNS é o esteio do sistema de saúde, é a trave mestra, é a base, é a estrutura na qual assenta a garantia de cumprirmos o que está inscrito na Constituição e de garantirmos a acessibilidade de todos aos cuidados de saúde”, declarou Montenegro durante a inauguração da nova Unidade de Ressonância Cardíaca e do heliporto do Hospital Eduardo Santos Silva, em Vila Nova de Gaia.

O primeiro-ministro aproveitou a ocasião para sublinhar o investimento do atual Executivo na área da saúde, contrastando-o com o período anterior. “Nos anos que precederam a entrada em funções deste Governo, não foi construído um único hospital novo”, afirmou.

De acordo com a agência Lusa, entre os projetos destacados por Montenegro estão a construção do Hospital de Todos os Santos, em Lisboa, e um novo hospital no Algarve, inseridos num “ciclo de investimentos muito significativo”.

Apesar de reafirmar o papel central do SNS, o chefe do Governo defendeu uma abordagem mais integrada do sistema de saúde. “Temos de conciliar todos estes investimentos e devemos fazê-lo com espírito aberto, com espírito de boa gestão dos recursos públicos e de aproveitamento das capacidades da iniciativa privada e do setor social”, disse.

Heliporto preparado para helicópteros da Força Aérea

O novo heliporto do Hospital Eduardo Santos Silva foi concebido para reduzir drasticamente o tempo de resposta em situações críticas. Segundo a Unidade Local de Saúde (ULS) Gaia/Espinho, os doentes poderão demorar menos de um minuto entre a aterragem do helicóptero e a chegada à urgência.

Inicialmente previsto apenas para aeronaves do INEM, o projeto foi posteriormente adaptado para receber helicópteros militares da Força Aérea Portuguesa, incluindo o modelo Black Hawk. Essa alteração obrigou ao reforço estrutural e ao redimensionamento da infraestrutura.

O investimento final ascendeu a 1,9 milhões de euros, acima dos 1,5 milhões inicialmente previstos. A obra recebeu licença da Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC) a 3 de junho e já se encontra operacional, embora ainda não tenha recebido qualquer helicóptero.

A infraestrutura, instalada no topo do edifício que alberga a urgência e os cuidados intensivos, funcionará 24 horas por dia e poderá também ser utilizada em operações de resgate marítimo.

ULS Gaia/Espinho aponta fragilidades no modelo atual

Durante a cerimónia, o presidente da ULS Gaia/Espinho, Luís Matos, aproveitou a presença do primeiro-ministro para pedir mais investimento e uma revisão do modelo de funcionamento das unidades locais de saúde.

“O modelo das ULS implementado em 2024 ainda é recente, mas já é possível identificar algumas fragilidades que merecem atenção”, afirmou, defendendo mudanças na governação e no financiamento destas estruturas.

O gestor criticou o atual modelo de financiamento por não reconhecer adequadamente “a complexidade, diferenciação e intensidade dos cuidados” prestados pelas ULS.

Entre os projetos futuros apresentados por Luís Matos está a criação de mais lugares de estacionamento no hospital, num investimento estimado em 280 milhões de euros. O responsável pediu que o Orçamento do Estado para 2027 inclua uma verba equivalente a 10% do valor total da obra, como sinal de compromisso político.

Na resposta, Montenegro afirmou que o Governo está já a trabalhar numa alteração da arquitetura do sistema de saúde, sem detalhar as medidas em preparação.

A cerimónia contou ainda com a presença do presidente da Câmara de Gaia, Luís Filipe Menezes, e do diretor executivo do SNS, Álvaro Almeida.