sexta-feira, 12 jun. 2026

Montenegro diz que portugueses estão “fartos de eleições” e aponta 2029 como momento de avaliação

O líder do PSD, Luís Montenegro, afirmou que os portugueses “não querem eleições” e garantiu que será em 2029 que o Governo e as oposições serão avaliados. O primeiro-ministro defendeu ainda reformas fiscais, administrativas e laborais durante a apresentação da sua recandidatura à liderança social-democrata
Montenegro diz que portugueses estão “fartos de eleições” e aponta 2029 como momento de avaliação

O presidente do PSD, Luís Montenegro, afirmou que os portugueses estão “fartos de eleições” e considerou que o próximo grande momento de avaliação política deverá acontecer apenas em 2029.

“O povo não quer eleições, eu até diria, está farto de eleições. O povo já fez a sua opção e em 2029 fará a próxima. Em 2029 avaliará o desempenho do Governo”, declarou o líder social-democrata durante uma sessão de apresentação da sua recandidatura às eleições diretas do PSD, marcadas para 30 de maio.

O discurso decorreu em Vila Pouca de Aguiar e teve a duração de cerca de 50 minutos. Montenegro defendeu que até ao final da legislatura compete ao Governo e às oposições “fazer o seu trabalho” antes de voltarem a submeter-se ao julgamento dos eleitores.

“Daqui até 2029, cabe-nos a todos, cada um, fazer o seu trabalho, cumprir a sua missão e depois colocar-se na avaliação soberana do povo português”, afirmou.

Na reta final da intervenção, o primeiro-ministro sublinhou que os portugueses irão avaliar não apenas a ação do executivo, mas também a capacidade reformista dos partidos da oposição.

“O povo julga o Governo e julga as oposições, julga o reformismo do Governo e o reformismo ou a falta dele das oposições”, declarou, citado pela agência Lusa.

Durante a intervenção, Montenegro abordou temas como a agricultura, a educação, o mercado de trabalho, as pensões e a política fiscal. O líder do PSD voltou a defender a redução de impostos sobre trabalhadores e empresas, classificando-a como um eixo central da estratégia económica do executivo.

“Baixar os impostos sobre o trabalho das pessoas e sobre o trabalho das empresas é o nosso modelo económico, é mesmo estratégico e estruturante da sociedade que nós queremos”, sustentou.

O presidente social-democrata insistiu ainda na necessidade de avançar com uma reforma da administração pública, defendendo uma maior simplificação dos processos administrativos e criticando a excessiva burocracia.

Segundo Montenegro, acelerar procedimentos não significa reduzir transparência nem enfraquecer mecanismos de fiscalização. “Quando nós falamos de ter um processo administrativo mais ágil, de acabar com muitos pareceres prévios do Tribunal de Contas, nós não queremos que as pessoas não cumpram as regras”, afirmou.

O líder do PSD criticou ainda as reações às propostas de reforma administrativa, acusando alguns setores de resistirem à mudança. “Nós não viemos para deixar tudo na mesma”, reforçou.

Sobre a reforma laboral, cuja proposta já deu entrada no parlamento, Montenegro rejeitou as críticas da oposição e garantiu que o PSD não pretende reduzir direitos dos trabalhadores.

“Já ninguém acredita quando dizem que o PSD quer acabar com os direitos, quer facilitar os despedimentos, quer que haja mais precariedade”, afirmou, acrescentando que o objetivo é tornar o país “mais produtivo”.

A presidente da Câmara Municipal de Vila Pouca de Aguiar, Ana Rita Dias, será a mandatária distrital da candidatura de Montenegro em Vila Real.

Luís Montenegro foi eleito líder do PSD pela primeira vez em maio de 2022. O 43.º Congresso nacional do partido está marcado para os dias 20 e 21 de junho, em Anadia.