terça-feira, 16 jun. 2026

Montenegro diz que Portugal tem de deixar de estar “permanentemente à espera” de fundos europeus

O primeiro-ministro defendeu que Portugal tem de reduzir a dependência dos fundos europeus e preparar desde já projetos competitivos para o próximo quadro financeiro da União Europeia. Luís Montenegro alertou que o novo ciclo de financiamento, previsto para arrancar em 2028, está “já ali” e será mais exigente na atribuição de apoios
Montenegro diz que Portugal tem de deixar de estar “permanentemente à espera” de fundos europeus

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, defendeu esta segunda-feira que Portugal deve reduzir a dependência dos fundos europeus para financiar o seu desenvolvimento económico e os investimentos estratégicos, alertando que o próximo quadro financeiro da União Europeia exigirá maior competitividade e projetos de excelência.

“Nós, Portugal, temos cada vez mais a obrigação de, não desperdiçando e descurando as políticas de coesão, nos colocarmos acima da necessidade de estarmos permanentemente à espera de fundos para podermos desenvolver-nos, para podermos financiar o nosso investimento”, afirmou o chefe do Governo na cerimónia que assinalou a transformação do Instituto Politécnico do Porto na Universidade Técnica do Porto.

À chegada ao evento, Luís Montenegro foi recebido por cerca de duas dezenas de manifestantes que contestavam o pacote laboral do Executivo.

O primeiro-ministro recordou que a União Europeia está já a discutir as orientações do próximo Quadro Financeiro Plurianual, que abrangerá o período entre 2028 e 2032.

“Estamos a meio do ano de 2026. O ano de 2028, onde este quadro financeiro vai começar, é já ali”, alertou, citado pela agência Lusa.

Segundo Montenegro, a futura estratégia europeia estará mais orientada para o reforço da competitividade económica, privilegiando projetos inovadores e de elevada qualidade.

“O financiamento estará muito vocacionado para a economia, para a competitividade e para premiar projetos com maior distinção e excelência”, afirmou.

O líder do Executivo sublinhou ainda que nenhum Estado-membro terá garantias automáticas de acesso aos recursos financeiros europeus, defendendo que empresas, universidades e centros de investigação devem preparar desde já candidaturas robustas.

“Vamos ter de apresentar projetos credíveis, projetos que acrescentam valor, que inovam e que ajudam a Europa a afirmar-se no plano económico e comercial”, sustentou.

Universidades e empresas chamadas a colaborar

Na intervenção, Montenegro destacou o papel que as instituições de ensino superior terão na captação de financiamento europeu, defendendo uma maior articulação com o tecido empresarial.

Para o primeiro-ministro, universidades e empresas devem trabalhar em conjunto para desenvolver projetos capazes de competir à escala europeia, seja através de candidaturas nacionais, seja em cooperação com parceiros internacionais.

“Nós temos de preparar os projetos já, para podermos estar habilitados, no primeiro dia, a ombrear com outros países europeus”, afirmou.

O chefe do Governo aproveitou ainda para assinalar a relevância da criação de novas universidades em Portugal, lembrando que não surgia uma nova instituição universitária desde a criação da Universidade da Madeira, em 1986.

“Esta é a altura de nós darmos ao Ensino Superior em Portugal uma nova lufada de criação de valor, de criação de escala e de criação de capacidade”, defendeu.

A criação da Universidade Técnica do Porto foi aprovada em Conselho de Ministros a 21 de maio, juntamente com a criação da Universidade de Leiria e do Oeste, resultante da transformação de institutos politécnicos em universidades.

A medida integra a estratégia do Governo para reforçar a capacidade científica, tecnológica e de inovação do ensino superior português, num contexto em que a competição pelos futuros fundos europeus deverá tornar-se mais intensa.