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O primeiro-ministro afirmou esta terça-feira que o Governo está concentrado em “resolver problemas e não em responder a críticas”, admitindo que é difícil dar resposta a todas as situações em simultâneo, uma semana após a passagem da tempestade Kristin.
“Estamos concentrados em olhar para cada pessoa, para cada família e poder dar a solução para o seu problema. Sabemos que há muita dificuldade em resolver os problemas todos e ao mesmo tempo”, afirmou Luís Montenegro, em Pombal.
O chefe do Governo visitou um reservatório de água e a empresa Motassis Plásticos SA, acompanhado pelo ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, e pelo presidente da Estrutura de Missão para a Reconstrução da Região Centro, Paulo Fernandes, criada para responder aos efeitos do temporal, que causou pelo menos dez mortos, diretos e indiretos.
A visita, com cerca de uma hora de duração, serviu para avaliar danos no terreno e explicar o pacote de medidas aprovado no domingo, que inclui apoios a famílias, empresas e à reconstrução das infraestruturas afetadas.
Críticas à ministra da Administração Interna
Questionado sobre as críticas dirigidas à ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral, Montenegro recusou alimentar a polémica.
“Nós estamos concentrados em resolver os problemas, não estamos agora concentrados em responder a críticas”, afirmou.
O primeiro-ministro rejeitou também que uma frase usada na sua intervenção de domingo tenha visado responsabilizar vítimas mortais que caíram de telhados enquanto tentavam reparar danos provocados pela tempestade.
“Nem por sombras”, garantiu, citado pela agência Lusa, em resposta a críticas, nomeadamente do líder do Chega e candidato presidencial.
Falta de água, energia e meios no terreno
Durante a visita ao reservatório das Ranhas, no Outeiro da Ranha, a vice-presidente da Câmara de Pombal, Isabel Marto, explicou que seriam necessárias cerca de 90 pessoas para garantir o funcionamento pleno do sistema, tendo sido enviados apenas 15 militares.
Montenegro reconheceu dificuldades, mas assegurou que estão a ser feitos reforços.
“Estamos a reforçar as equipas dos municípios, que estão a fazer um trabalho absolutamente excecional, com a capacidade que temos no Estado, incluindo as Forças Armadas. Ainda não conseguimos cobrir todas as solicitações, na dimensão que são feitas, mas estamos a trabalhar nisso”, disse.
À saída da empresa visitada, o primeiro-ministro ouviu ainda queixas de um popular, que criticou a presença de bombeiros “a passear pela cidade”, enquanto persistem cortes de eletricidade.
“Virar a página” e recuperar o país
Confrontado com a ausência de visitas diretas a populações desalojadas, Montenegro respondeu que “vários membros do Governo” têm estado no terreno junto dessas comunidades.
Uma semana após o temporal, o primeiro-ministro destacou progressos na reposição de serviços essenciais.
“Há milhares de pessoas que não tinham fornecimento de energia elétrica e já têm, há milhares que não tinham água e já têm, há milhares que não tinham comunicações e já têm”, afirmou, reconhecendo que ainda subsistem falhas.
“Ainda há muitas pessoas sem resposta e estamos concentrados nelas. Depois estamos focados em recuperar o país, virar esta página e dar esperança às pessoas”, concluiu.