terça-feira, 08 set. 2026

Montenegro desvaloriza moção de censura do Chega e defende Luís Neves

Luís Montenegro desvalorizou a moção de censura do Chega e defendeu Luís Neves, garantindo confiança no ministro da Administração Interna. O primeiro-ministro considera que a iniciativa se insere numa lógica de “mero jogo político”
Montenegro desvaloriza moção de censura do Chega e defende Luís Neves

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, considerou esta quinta-feira que a moção de censura apresentada pelo Chega contra o Governo se enquadra numa lógica de “mero jogo político” e garantiu que o Executivo irá demonstrar no parlamento que a iniciativa “não faz sentido”.

Aos jornalistas, antes de assistir à cerimónia de posse do reeleito Presidente da República Democrática de São Tomé e Príncipe, Carlos Vila Nova, Montenegro sustentou que todos os intervenientes políticos devem encarar o debate com sentido de responsabilidade.

“Da parte do Governo, aquilo que está sob a nossa alçada é a responsabilidade de governar, de resolver problemas, de encontrar soluções para as matérias que preocupam os portugueses e para os projetos que podem criar mais futuro”, afirmou.

O primeiro-ministro adiantou que o Governo aguarda agora a marcação do debate na Assembleia da República, onde pretende responder à iniciativa apresentada pelo Chega.

“Estamos a aguardar a definição do dia e da hora em que temos de nos apresentar à Assembleia da República para responder a esta moção de censura e mostrar que ela não faz sentido, que se enquadra numa lógica de mero jogo político e não está focada na resolução dos problemas das pessoas”, declarou, citado pela agência Lusa.

Montenegro deixa aviso à oposição

A moção de censura foi apresentada pelo Chega devido à manutenção de Luís Neves no cargo de ministro da Administração Interna.

Sem mencionar diretamente o líder do partido, Luís Montenegro deixou um aviso à oposição, defendendo que a capacidade para se apresentar como alternativa ao Governo depende também do sentido de responsabilidade demonstrado pelas forças políticas.

“As oposições serão tão mais capazes de se apresentarem como alternativas se mostrarem sentido de responsabilidade”, afirmou, acrescentando que ninguém pretende ver o país governado por forças que não coloquem “o interesse de todos à frente de interesses particulares”.

“Estou muito tranquilo” com Luís Neves

Questionado sobre a permanência de Luís Neves no Governo e sobre o eventual desgaste político provocado pela polémica em torno da sua anterior atividade como diretor nacional da Polícia Judiciária, Montenegro voltou a manifestar total confiança no ministro.

“O ministro da Administração Interna tem sido um dos membros do Governo que tem mostrado, como aliás os demais, aptidão para resolver problemas”, afirmou.

Como exemplos, o primeiro-ministro destacou a redução dos tempos de espera no controlo das fronteiras nos aeroportos e a resposta ao combate aos incêndios florestais.

Segundo Montenegro, o dispositivo montado para enfrentar os fogos tem permitido diminuir o impacto dos incêndios, com uma taxa de sucesso na primeira intervenção, nos primeiros 90 minutos, superior a 95%.

Ainda assim, deixou um aviso: “Nesta matéria nunca estamos seguros, porque uma tragédia pode acontecer a qualquer momento”.

Sobre a confiança política no ministro, Montenegro foi direto: “Eu faço a minha avaliação e estou muito tranquilo com todos os membros do Governo”.

“Deus me livre” de governar com base nos comentadores

O primeiro-ministro também desvalorizou as críticas de alguns comentadores do espaço do centro-direita à escolha de Luís Neves para o Governo.

“Deus me livre se governasse atendendo àquilo que dizem os comentadores, sejam eles de direita, de esquerda, de centro, ou sejam eles quem forem”, reagiu.

Montenegro sublinhou que respeita a liberdade de opinião e o papel dos comentadores no debate democrático, mas recusou que as opiniões expressas na esfera pública possam determinar as decisões do Executivo.

“Uma coisa é dizerem, outra coisa é que parece que querem impor eles próprios ao Governo que faça assim e assado”, criticou.

O chefe do Governo insistiu que governa de acordo com as suas convicções e com os compromissos assumidos perante os portugueses.

“Eu governo na base das minhas convicções e dos compromissos que assumi perante o povo. É esse o meu princípio e a minha filosofia”, afirmou.

No final, Luís Montenegro procurou marcar uma diferença entre a ação governativa e aquilo que classificou como a dinâmica do debate político de bastidores.

“Eu não mando recados a ninguém. Eu falo com o povo, falo com as pessoas”, rematou.