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O primeiro-ministro reconheceu esta quinta-feira que a subida da inflação está a pressionar o custo de vida, mas considerou que a situação ainda não justifica alarme.
À margem de uma visita à Ovibeja, em Beja, onde decorre também uma reunião do Conselho de Ministros, o chefe do Governo reagiu aos dados mais recentes divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
“Preocupados e apreensivos estamos todos, mas não é ainda motivo para alarme”, afirmou Luís Montenegro, sublinhando que o executivo acompanha a evolução dos preços.
Segundo a estimativa rápida do INE, a taxa de inflação subiu para 3,4% em abril, mais 0,7 pontos percentuais face a março, sendo novamente impulsionada pelos combustíveis.
O aumento dos preços da energia está ligado à instabilidade internacional, nomeadamente à guerra no Irão e ao fecho do Estreito de Ormuz, uma via estratégica por onde passa uma parte significativa do petróleo mundial.
De acordo com o INE, o índice de preços dos produtos energéticos disparou para 11,7% em abril, depois de ter registado uma subida de 5,7% no mês anterior.
Já a inflação subjacente — que exclui energia e alimentos não transformados — fixou-se em 2,2%, ligeiramente acima dos 2,0% registados em março.
Em termos mensais, os preços aumentaram 1,4% em abril, enquanto a variação média dos últimos 12 meses subiu para 2,4%. O Índice Harmonizado de Preços no Consumidor, que permite comparações europeias, atingiu 3,3%.
Os dados definitivos serão divulgados pelo INE a 13 de maio.
Economia trava no início do ano
Os sinais de pressão económica não se ficam pela inflação. Segundo a primeira estimativa do INE, a economia portuguesa registou crescimento nulo no primeiro trimestre de 2026 face ao trimestre anterior, interrompendo a trajetória de expansão.
O abrandamento surge num contexto marcado pelas tempestades que afetaram o país no início do ano e pelo impacto da instabilidade geopolítica no Médio Oriente.
Em termos homólogos, o Produto Interno Bruto cresceu 2,3%, sustentado sobretudo pela procura interna, com destaque para o investimento. Já a procura externa teve um contributo negativo, devido ao aumento mais acentuado das importações face às exportações.
Apesar da estagnação em cadeia, o Governo mantém uma leitura cautelosa, numa altura em que a evolução da inflação e do contexto internacional continuam a marcar o ritmo da economia portuguesa.