terça-feira, 16 jun. 2026

Montenegro acredita que maioria dos portugueses vai trabalhar apesar da greve geral desta quarta-feira

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, mostrou-se confiante de que a “esmagadora maioria dos portugueses que trabalha” irá cumprir o seu horário laboral na quarta-feira, apesar da greve geral convocada pela CGTP contra as alterações à legislação laboral promovidas pelo Governo
Montenegro acredita que maioria dos portugueses vai trabalhar apesar da greve geral desta quarta-feira

O primeiro-ministro afirmou esta terça-feira estar convicto de que a maioria dos trabalhadores portugueses irá apresentar-se ao serviço na quarta-feira, dia em que está marcada uma greve geral convocada pela CGTP contra a revisão da legislação laboral proposta pelo Governo.

À entrada para a conferência “50 Anos do Poder Local – Democracia, Desenvolvimento e Futuro”, organizada pelo Jornal de Notícias, no Porto, Luís Montenegro admitiu desconhecer qual será o nível de adesão ao protesto, mas manifestou confiança de que o impacto será limitado.

“Não faço ideia. Logo veremos. O que eu espero, e essa é a minha convicção, é que a grande maioria, a esmagadora maioria dos portugueses que trabalha, vai trabalhar amanhã”, declarou, citado pela agência Lusa.

Montenegro alertou, contudo, para situações em que grupos minoritários possam condicionar a atividade de quem pretende trabalhar. “Muitas vezes o que acontece é que uma minoria consegue condicionar o trabalho dos outros. Espero que isso não aconteça e que se conciliem as duas coisas: uns têm o direito de fazer greve e outros têm o direito de trabalhar”, sublinhou.

À chegada ao evento, o primeiro-ministro voltou a ser recebido por um grupo de cerca de duas dezenas de manifestantes que contestavam o pacote de alterações laborais apresentado pelo Governo.

Questionado sobre os protestos, Montenegro afirmou tratar-se de pessoas que têm marcado presença em várias iniciativas públicas onde participa.

“São sempre os mesmos e são militantes acérrimos da CGTP”, referiu, acrescentando que encara essas manifestações com respeito.

“Tenho gosto em vê-los quase todos os dias, porque agora fazem parte do meu dia-a-dia. Temos um grande respeito pelos portugueses que querem emitir a sua discordância sobre alguns temas e querem fazer greve”, afirmou.

Ainda assim, o líder do PSD reiterou que o respeito pelo direito à greve deve coexistir com o respeito pelo direito ao trabalho.

“Espero que deixem os portugueses trabalhar. Que deixem os portugueses que querem exercer o direito à greve fazê-lo, mas também aqueles que querem trabalhar, ir para a escola, às consultas médicas ou cumprir as suas tarefas diárias”, acrescentou.

CGTP avança para greve geral após falha nas negociações

A greve geral de 3 de junho foi convocada pela CGTP depois de as negociações com o Governo sobre a revisão da legislação laboral terem terminado sem acordo em sede de Concertação Social.

O Executivo aprovou entretanto, em Conselho de Ministros, a proposta de lei que altera várias normas laborais, diploma que seguirá agora para discussão e votação na Assembleia da República.

A central sindical considera que as mudanças representam um retrocesso nos direitos dos trabalhadores e decidiu avançar com uma paralisação nacional para contestar as medidas.

Também esta terça-feira, a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Rosário Palma Ramalho, reconheceu que uma greve geral terá impacto na vida dos cidadãos e das famílias.

“Uma greve geral é sempre algo grave no sentido em que se traduz em múltiplos inconvenientes para as pessoas e para as famílias, apesar de corresponder ao exercício de um direito fundamental e, portanto, merecer todo o respeito”, afirmou, em Lisboa.

A governante voltou ainda a defender a introdução de novas regras relativas aos serviços mínimos, previstas no anteprojeto da reforma laboral Trabalho XXI.

“Espero que essa medida vá efetivamente para a frente”, declarou, numa referência à proposta que tem gerado forte contestação por parte das estruturas sindicais.

A greve geral convocada pela CGTP deverá afetar vários setores de atividade, incluindo transportes, educação, saúde e administração pública, embora a dimensão da adesão só seja conhecida ao longo da quarta-feira.