quarta-feira, 13 mai. 2026

Moedas acusa petição sobre 25 de Abril de “ataque político” e rejeita desvalorização da data

O presidente da Câmara de Lisboa rejeita críticas à programação do 25 de Abril e classifica petição de agentes culturais como tentativa de “diabolização”
Moedas acusa petição sobre 25 de Abril de “ataque político” e rejeita desvalorização da data

O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, considerou esta terça-feira que a petição que denuncia uma alegada desvalorização do 25 de Abril na programação municipal constitui “um ataque político” e uma tentativa de o “diabolizar”.

A posição foi assumida durante a reunião da Assembleia Municipal de Lisboa, na sequência de uma questão colocada pela deputada municipal Natacha Amaro (PCP), sobre a petição “Festas de Abril sem Abril”, subscrita por cerca de 600 agentes culturais.

Segundo Carlos Moedas, o município está a investir, em 2026, cerca de 250 mil euros em 30 iniciativas promovidas pela EGEAC Lisboa Cultura, a que se somam outras 30 organizadas diretamente pela autarquia.

“Estamos a fazer e a investir”, afirmou, rejeitando a ideia de que exista um esvaziamento das comemorações da Revolução dos Cravos.

Na petição, os subscritores criticam aquilo que consideram ser uma diluição do significado da data, acusando a programação municipal de reduzir o 25 de Abril a uma “festa da primavera” e lamentando a ausência, pelo segundo ano consecutivo, do tradicional concerto na noite de 24 para 25 de Abril.

O autarca contrapôs com os números das celebrações dos 50 anos da revolução, em 2024, que envolveram um investimento de quase um milhão de euros e cerca de 100 iniciativas. “Nos anos não redondos investe-se aquilo que sempre se investiu”, frisou.

Carlos Moedas rejeitou ainda críticas sobre o seu compromisso com os valores de Abril, recordando o passado familiar marcado pela repressão do Estado Novo, nomeadamente a perseguição do seu pai pela PIDE.

“O 25 de Abril é parte da minha vida, eu não estaria aqui sem o 25 de Abril”, afirmou, garantindo que nunca interferiu nas decisões das entidades responsáveis pela programação cultural.

Entre os primeiros signatários da petição estão nomes como Ana Sofia Paiva, João Monge, Pedro Fernandes Duarte e Tiago Santos, contando também com o apoio de figuras como André Gago, Carlos Mendes, Cristina Branco e Tiago Torres da Silva.

O documento defende que a forma como as “Festas de Abril” são apresentadas desvia o foco da importância histórica da revolução, apontando responsabilidade política ao executivo municipal pelas opções programáticas adotadas.