O ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, agradeceu esta sexta-feira o trabalho desenvolvido pelo contingente português destacado para a missão de policiamento aéreo da NATO na Estónia, sublinhando que os militares estiveram na "primeira linha de defesa" da Aliança Atlântica e intercetaram mais de 25 aeronaves russas ao longo de quatro meses.
Numa visita à base aérea de Amari, onde decorreu a missão Enhanced Air Policing 2026, o governante enalteceu o desempenho da Força Aérea Portuguesa e reafirmou o compromisso de Portugal com a NATO.
"Portugal estará sempre lá para os seus aliados", afirmou Nuno Melo, defendendo que a Aliança continua a ser a principal garantia de segurança num contexto internacional marcado por crescente instabilidade.
"O mundo vive tempos difíceis, sensíveis e imprevisíveis. A NATO é, coletivamente, a nossa melhor garantia de que, se precisarmos dos nossos aliados, eles estarão presentes. E os nossos aliados sabem que, se precisarem de Portugal, Portugal também estará lá", declarou.
Mais de 25 aeronaves russas intercetadas
Desde o início da missão, a 1 de abril, o destacamento português intercetou mais de 25 aeronaves russas e realizou mais de 480 horas de voo, contribuindo para a vigilância e proteção do espaço aéreo dos países bálticos.
Nuno Melo destacou que os militares portugueses desempenharam funções num dos pontos mais sensíveis da frente leste da NATO, junto à fronteira com a Rússia.
O ministro sublinhou que os portugueses devem conhecer o trabalho desenvolvido pelas Forças Armadas, lembrando que os militares destacados enfrentam "riscos reais" ao intercetar aeronaves e veículos aéreos não tripulados nas proximidades do espaço aéreo aliado.
Estónia alerta para reforço militar da Rússia
Antes da visita à base aérea, Nuno Melo reuniu-se com o ministro da Defesa da Estónia, Hanno Pevkur, que alertou para o reforço das capacidades militares russas junto da fronteira com os países da NATO.
Segundo o governante estónio, Moscovo continua a aumentar o número de militares e equipamentos destacados para a região, apesar de manter a ofensiva militar na Ucrânia.
"Apesar de estarem a conduzir uma guerra de agressão em grande escala na Ucrânia, continuam a reformar e a reconstruir as suas forças armadas. Estão a deslocar para a nossa vizinhança o dobro dos militares e o dobro dos equipamentos", afirmou, defendendo que a NATO deve responder a esta evolução.
Pevkur alertou igualmente para o aumento das chamadas ameaças híbridas, referindo possíveis tentativas de influência russa em processos eleitorais de países como Suécia, Finlândia, Letónia, França e Estónia.
Turquia assume missão da NATO
A missão portuguesa termina oficialmente esta sexta-feira, sendo agora substituída pela Turquia, que destacará cinco caças F-16 e 76 militares para assegurar a continuidade do policiamento aéreo no Báltico até novembro.
Portugal participou na operação com um contingente de 95 militares e quatro caças F-16, naquela que foi a nona missão de policiamento aéreo da NATO nos países bálticos com participação portuguesa e a segunda realizada na Estónia.