Dezenas de milhares de pessoas voltaram a ocupar este sábado o centro de Lisboa para celebrar o aniversário da Revolução de 25 de Abril de 1974, numa marcha que, mais de cinco décadas depois, continua a cruzar memória, reivindicação e resistência.
Na Avenida da Liberdade, ouviram-se palavras de ordem como “25 de Abril Sempre” e “Fascismo nunca mais”, num ambiente marcado pela diversidade geracional e política dos participantes.
Liberdade celebrada, mas também contestada
A marcha foi palco de múltiplas reivindicações, desde o direito à habitação, saúde e educação, até à defesa dos direitos LGBTI+ e à crítica aos conflitos internacionais e ao aumento do custo de vida.
Cartazes improvisados e mensagens diretas refletiram inquietações atuais, como o preço das rendas ou o acesso à habitação. Entre os mais jovens, a preocupação com o futuro foi dominante, com alertas para a dificuldade crescente em sair de casa dos pais e criticaram situações de sobrelotação habitacional.
Memória histórica e resistência
A evocação da revolução esteve também presente através de símbolos históricos, como as Chaimite utilizadas pelo Movimento dos Capitães em 1974, e da participação de antigos presos políticos.
O historiador José Pacheco Pereira destacou a forte adesão à iniciativa, considerando que muitos participantes estiveram presentes “não tanto para fazer uma festa, mas para resistir”.
Para o antigo político, de acordo com a agência Lusa, está em causa uma reação crescente contra fenómenos como a desinformação, o enfraquecimento do debate público e o aumento da desigualdade.
Mais de meio século depois, o 25 de Abril continua a ser celebrado como um marco fundador da democracia portuguesa, mas também como um ponto de partida para novas exigências sociais e políticas.