quarta-feira, 22 jul. 2026

Mestre Bessa: "Só espero que (Seguro) não faça o mesmo que o professor Marcelo"

Pintor portuense pensou que seria retratista oficial de Marcelo, mas foi trocado. Agora, ofereceu um retrato a Seguro e ficou a admirar-lhe  a gentileza.
Mestre Bessa: "Só espero que (Seguro) não faça o mesmo que o professor Marcelo"

Quarta-feira, 24 de junho, foi um dia de júbilo para mestre Bessa. Aproveitando uma visita do Presidente da República à cidade do Porto a propósito do feriado de São João, o artista plástico recebeu António José Seguro no seu atelier na Rua do Almada, ao lado do Bolhão, e ofereceu-lhe duas pinturas: um retrato do chefe do Estado e um panorama de Penamacor, vila do distrito de Castelo Banco onde Seguro nasceu, há 64 anos.

Não se tratou de mero acaso. Estava tudo já combinado com Luís Pedro Martins, presidente da Associação do Turismo do Porto e Norte, e com a primeira-dama, Margarida Maldonado Freitas, cúmplices de mestre Bessa nesta surpresa ao novo inquilino do Palácio de Belém. 

As pinturas ficaram durante mais alguns dias no atelier, a que chama Caixa de Tinta, e na última terça-feira, 30 de junho, seguiram para o Palácio de Belém, onde Seguro definiu um espaço para as acolher.

Com este retrato, sobe para dois o número de chefes do Estado que mestre Bessa retratou a óleo e aos quais ofereceu pessoalmente as suas obras. 

O primeiro foi Marcelo Rebelo de Sousa. Na véspera do Dia de Portugal de 2017, mestre Bessa recebeu Marcelo no atelier e fez questão de lhe dar um retrato realista pintado a partir fotografias tiradas pelo fotojornalista Orlando Almeida, do Diário de Notícias.

O então Presidente estava no segundo ano do seu primeiro mandato e prometeu ao pintor que a oferenda se tornaria o seu retrato oficial, para quando um dia deixasse Belém.

Já se sabe que não foi assim que veio a acontecer. Nove anos depois, ao terminar o segundo e último mandato, o professor de Direito mudou de ideias e escolheu o artista  Vhils para este lhe criar uma representação pós-moderna, que o país ficou a conhecer em 4 de março: rosto sorridente em grande plano, traços feitos a recortes de jornais e revistas, e não as clássicas tintas de mestre Bessa, que mostravam um popular Marcelo em descanso súbito numas escadas de pedra. 

Entendeu Marcelo que, afinal, na linha dos antecessores, deveria optar por um artista representativo da sua época.

Mestre Bessa, dando provas da humildade com que muitos o caracterizam, mostrou-se então apenas cabisbaixo: «Fiquei surpreendido, mas não desiludido. Quando o Presidente me escolheu em 2017, foi um sonho. E agora tornou-se um bocado um pesadelo. Mas não trocaria por nada estes anos de glória que o Presidente me proporcionou ao fazer-me pensar que seria eu o autor do seu retrato oficial».

Tudo isto já são águas passadas. António Bessa, de 72 anos, que no Porto todos conhecem por mestre Bessa, recuperou o ânimo e surge agora erguido às alturas com nova pintura presidencial, acolhida por Seguro sem promessas.

«Quem me dera que o Presidente me dissesse que escolhia a minha obra para retrato oficial. Seria maravilhoso. Se acontecer, só espero que não me faça o mesmo que o Presidente Marcelo, que me excluiu no fim do mandato. Foi uma pena», comentou mestre Bessa ao nosso jornal.

Ao recordar o encontro com Seguro no dia de São João, disse que foi a primeira vez que estiveram juntos: «Fiquei admirado. É um homem muito gentil. Tivemos um diálogo muito saboroso, parece que estava a conversar com alguém da minha família. O presidente Marcelo é muito exuberante no seu diálogo, o presidente Seguro é mais calmo, tem outro sentido».

Quanto ao retrato do atual chefe do Estado, explicou-nos que consiste num óleo sobre tela com altura de um metro de 30 centímetros, que lhe demorou cerca de duas semanas a completar. Também este foi inspirado numa fotografia que encontrou numa revista.