quarta-feira, 15 abr. 2026

Mariana Leitão: “Vou conseguir devolver esperança às pessoas”

Foi deputada municipal, chefe de gabinete, líder parlamentar até chegar à liderança da Iniciativa Liberal. Viu o furacão Cotrim arrasar nas presidenciais, mas reconhece que ‘a eleição de novos Presidentes atrasou o crescimento da IL’.
Mariana Leitão: “Vou conseguir devolver esperança às pessoas”

A Iniciativa Liberal apareceu com uma frescura que se notava em vários aspetos, desde logo na comunicação inovadora. O que tem faltado para o partido dar o salto para o campeonato dos três grandes?

A IL fez em poucos anos um caminho de crescimento constante. No entanto, o partido mudou várias vezes de líder enquanto ainda estava numa fase de afirmação. Os líderes da IL têm sido pessoas que vêm de fora da política, sem qualquer passado em outros partidos, e portanto com um desafio inicial de notoriedade e consolidação. A mensagem liberal, que mais do que crítica tem soluções, requer também tempo para ser passada. Estar sempre a reiniciar este processo com eleição de novos Presidentes atrasou o crescimento da IL. O partido precisa de estabilidade durante um longo período.

As sucessivas lutas de poder não têm prejudicado o partido?

As disputas políticas internas são normais, muito mais na Iniciativa Liberal, que é um partido muito democrático e muito exigente, onde há forte participação e debate. É importante, no entanto, que a sociedade possa ver cada vez mais a IL como um partido estável e maduro.

Quais acha que são as suas mais valias para fazer crescer o partido?

Conheço muito bem a Iniciativa Liberal e sei o que é preciso fazer no país e tem faltado coragem aos líderes dos outros partidos para o fazer. Acredito numa liderança agregadora e empática. Entendo os problemas e as frustrações dos portugueses, dos trabalhadores, dos jovens, das famílias, das empresas. Eu sei que vou conseguir devolver esperança às pessoas e que tenho a coragem e a força necessária para o fazer.

Ficou conhecida pelos confrontos com Isaltino Morais, enquanto deputada municipal. Acredita que nos próximos três anos se irá afirmar ‘contra’ Luís Montenegro, nomeadamente combatendo o excessivo peso do Estado?

Se Montenegro continuar a insistir em políticas que mantêm o país preso a um modelo de crescimento fraco, com impostos elevados e um Estado demasiado grande, no mesmo estilo de governação de António Costa, verá de mim o mesmo combate que Isaltino teve a oportunidade de provar.

Acha que por ter vindo de chefe de gabinete do grupo parlamentar não é bem aceite por todos no partido?

Antes de vir de chefe de gabinete vim de membro de base, líder do núcleo territorial de Oeiras, presidente do Conselho Nacional da Iniciativa Liberal, deputada municipal em Oeiras e ainda fui deputada da Nação, líder parlamentar da Iniciativa Liberal e agora presidente do partido. Tive que provar em cada posição o meu valor com muita dedicação e trabalho, conquistar muitas vitórias pelo esforço e pelos votos, pelo que sei que o partido reconhece não só esse percurso mas todo o contributo desenvolvido desde o início em prol da IL.

João Cotrim Figueiredo, antigo líder, disse que não quer que os 900 mil votos que conseguiu nas eleições presidenciais «fiquem sem um sítio onde possam manter aquela energia...». Não acha que seria normal que o antigo líder do partido apelasse a que essas 900 mil pessoas se ‘juntassem’ à IL?

Esse resultado mostra que existe um eleitorado amplo espalhado neste momento por vários partidos que não tem medo da mudança e que, não estando satisfeito com a situação actual do país, nem se satisfazendo apenas com protesto, quer ver implementada uma agenda reformista que permita colocar o país numa rota de crescimento e desenvolvimento. A IL é quem melhor preconiza essa atitude e essas ideias e está no centro desse espaço político que quer ver futuro para Portugal. A expansão da IL para esse espaço é um caminho progressivo natural.

Nuno Palma considera que a Iniciativa Liberal se transformou na Iniciativa Feudal, numa clara referência a Cotrim Figueiredo. O que pensa disso?

Gosto de ler o Nuno Palma, por ser uma voz livre e descomprometida na análise dos problemas do país. Quanto às críticas, os partidos são alvo frequente de muitas críticas, e é natural que assim seja, temos de as receber com humildade, mas quero a Iniciativa Liberal como o partido português mais democrático e participativo, o que já deriva da sua cultura: convenções onde todos os membros podem participar e têm direito de voto, inexistência de lógicas personalistas internas. A IL é um partido de ideias, de participação e de responsabilidade coletiva.

Carlos Guimarães Pinto disse, nestas Entrevistas Imprevistas, que «os partidos, especialmente, os tradicionais, têm demasiados egos e bocas para alimentar». Não foi para combater isso que surgiu a IL?

Sim, é uma componente forte da cultura da IL fazer política de forma diferente: atrair independentes e pessoas novas na política, sem experiência em outros partidos, não alimentar carreiras públicas ad eternum (as pessoas devem ter uma profissão antes e uma profissão à qual voltar após o serviço público a que se dedicam temporariamente terminar), uma cultura exigente focada em ideias e não em cargos. A IL propõe frequentemente acabar com a quantidade de nomeações políticas que são feitas por cartão partidário e começar a fazer concursos baseados na competência e no mérito, reduzir as subvenções de campanha e reformar todo o sistema eleitoral.

Como encara a crescente força do wokismo na sociedade ocidental?

Penso que esse fenómeno colectivista mais extremo dos últimos anos já está, felizmente, em regressão. Foi um movimento que pretendia usar o Estado para impor comportamentos, linguagem, perseguir pessoas por opinião e aplicar censura social. Curiosamente, o que era manifestamente um fenómeno vindo da esquerda agora tem uma imitação à direita. Os maiores inimigos deste wokismo extremista recente são os liberais, porque combatem o proibicionismo, venha ele de onde vier, defendem a liberdade individual, uma sociedade aberta, plural e livre, e a limitação do poder do Estado para que não possa impor pensamento ou ideologia sobre os indivíduos. O liberalismo promove a liberdade de expressão, o debate aberto e tolerante e defende os direitos individuais e o respeito pela diferença.

Defende a legalização da droga? E da prostituição?

A posição liberal parte de um princípio simples: as políticas públicas devem ser avaliadas pelos resultados que produzem na vida das pessoas. No caso das drogas, a experiência internacional mostra que abordagens centradas na saúde pública, na redução de danos e na regulação são muito mais eficazes do que políticas puramente repressivas. Quanto à prostituição, defendo sobretudo que as pessoas não sejam criminalizadas e que o foco esteja no combate à exploração e ao tráfico. O essencial é garantir dignidade, segurança e proteção dos direitos das pessoas.

Como acha que se pode combater a queda da taxa de natalidade?

As pessoas não têm mais filhos em Portugal não porque não queiram mas pela questão económica e falta de perspetivas. O melhor programa para o aumento da taxa de natalidade é efetivamente o programa eleitoral da Iniciativa Liberal: crescimento económico, mais oportunidades para os jovens, maiores salários, melhores serviços públicos. Portugal tem de ser um país que dê confiança às pessoas, com uma economia mais dinâmica, salários mais altos, impostos mais baixos sobre o trabalho e políticas que facilitem a conciliação entre vida familiar e profissional. Quando um país volta a oferecer oportunidades, as famílias também voltam a ter condições para crescer e o país ganha futuro.