A comissária europeia Maria Luís Albuquerque considerou esta terça-feira “absolutamente justo” o prémio europeu atribuído ao antigo primeiro-ministro e Presidente da República Aníbal Cavaco Silva, distinguido no Parlamento Europeu com a recém-criada Ordem Europeia do Mérito.
Em declarações aos jornalistas em Estrasburgo, após a cerimónia, a responsável portuguesa pelos Serviços Financeiros e União da Poupança e dos Investimentos da Comissão Europeia destacou o percurso político de Cavaco Silva e o impacto da adesão de Portugal às então Comunidades Europeias.
“Eu recordo que o tempo em que o professor Cavaco Silva foi primeiro-ministro foi aquele em que Portugal mais cresceu, foram os primeiros anos da nossa adesão às então Comunidades Europeias, e esses anos foram profundamente transformadores para o país”, afirmou.
Segundo a agência Lusa, Maria Luís Albuquerque salientou ainda que o antigo chefe de Estado “foi sempre um europeísta convicto”, defendendo ativamente os interesses portugueses nas instituições europeias.
“Trabalhando sempre de forma ativa e sempre fazendo com que a voz de Portugal fosse ouvida, respeitada e fosse uma parte relevante nestas discussões, pelo que é claramente um prémio muito justo”, acrescentou a antiga ministra das Finanças.
A cerimónia marcou a entrega da primeira distinção europeia atribuída diretamente pelas instituições da União Europeia a cidadãos que deram contributos considerados excecionais para a unidade europeia, a democracia e os valores fundamentais da UE.
Dos 20 laureados escolhidos, 13 estiveram presentes na cerimónia realizada em Estrasburgo. A Ordem Europeia do Mérito divide-se em três níveis de distinção: membro, membro honorável e membro distinto.
A mais elevada distinção foi atribuída à antiga chanceler alemã Angela Merkel, ao histórico líder polaco Lech Wałęsa e ao Presidente da Ucrânia Volodymyr Zelensky, que não esteve presente na cerimónia. Cavaco Silva recebeu o grau de membro honorável.
A medalha foi entregue pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, enquanto o elogio institucional foi lido pelo antigo primeiro-ministro português e ex-presidente da Comissão Europeia José Manuel Durão Barroso.
Durão Barroso justificou a distinção com o papel desempenhado por Cavaco Silva “como primeiro-ministro e como Presidente durante as primeiras décadas de Portugal como membro das Comunidades Europeias e da UE”, destacando ainda o contributo do antigo governante para as negociações do Ato Único Europeu, do Tratado de Maastricht e do Tratado de Lisboa.