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Marcelo Rebelo de Sousa ocupou durante dez anos o cargo político mais bem remunerado do país, mas deixou o Palácio de Belém com um património financeiro bastante inferior ao que declarou quando ali chegou. Segundo a declaração de cessação de funções entregue em maio e consultada pelo Observador, o ex-Presidente da República tem atualmente quatro ativos financeiros avaliados em cerca de 185 mil euros, uma quebra de mais de 50% face aos 384 mil euros que havia declarado ao Tribunal Constitucional em 2016.
A quebra no salário explica a diferença
A principal razão para esta diminuição está na remuneração enquanto Chefe de Estado, inferior à que Marcelo auferia antes de assumir o cargo. No último ano completo na Presidência, em 2025, recebeu cerca de 157 mil euros brutos, incluindo despesas de representação. Antes de ser eleito, em 2014, enquanto comentador televisivo, professor catedrático de Direito e jurista, tinha registado rendimentos totais de 385 mil euros.
Mesmo carro, continua sem casa própria
O património de Marcelo resume-se hoje a duas contas bancárias, duas carteiras de títulos e um automóvel: o mesmo Mercedes-Benz Classe A, com matrícula de 2015, com que fez parte da campanha eleitoral de 2021. O ex-Presidente nunca foi proprietário de imóveis e voltou, em março, a residir na casa onde sempre viveu, em Cascais, que, segundo já tinha avançado o SOL, precisou de obras na cobertura devido a infiltrações. Durante a pandemia, chegou a dormir num quarto adaptado do Palácio de Belém, mudança que o seu fotógrafo oficial classificou de "erro" em entrevista ao Observador.
Vida depois de Belém
Marcelo mantém assento no Conselho de Estado e, por isso, continua obrigado a declarar património junto da Entidade para a Transparência. Recusou a subvenção vitalícia a que teria direito e anunciou que vai dedicar-se a visitar escolas do país, dando aulas e promovendo a leitura entre os mais jovens.