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O ex-Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa recusou este sábado prestar declarações sobre política, reafirmando a decisão de manter o “deserto eterno” anunciado após deixar o Palácio de Belém.
“Sei que vai ser uma maçada, vai ser um deserto eterno para os meus amigos [jornalistas], que hão de perguntar mil vezes e eu mil vezes direi que não digo nada”, afirmou, à margem da Festa do Livro de Celorico de Basto.
Marcelo Rebelo de Sousa participou numa tertúlia subordinada ao tema “Qual o papel da literatura no momento atual?”, marcando o início de um ciclo de intervenções de natureza cultural.
O antigo chefe de Estado sublinhou que não abordará temas políticos, incluindo matérias como a Constituição ou o poder local, embora reconheça que continuará a cumprir algumas “incumbências formais e protocolares”.
Nesse âmbito, confirmou presença na sessão solene que assinala os 50 anos da Constituição, a realizar na Assembleia da República, a 2 de abril.
Transição após saída de Belém
Marcelo Rebelo de Sousa cessou funções no passado dia 9, sendo sucedido por António José Seguro.
Na altura da transição, o ex-Presidente agradeceu aos jornalistas e reiterou a intenção de se afastar da vida política ativa, optando por uma intervenção pública mais discreta e centrada em áreas como a cultura.
No domingo, Marcelo estará novamente em destaque na Festa do Livro, participando numa conversa com os escritores David Machado e Hugo Gonçalves.
A presença em Celorico de Basto assinala assim o regresso do antigo Presidente à vida pública, ainda que sob o compromisso de silêncio político — um “deserto eterno” que promete manter perante insistentes perguntas sobre a atualidade nacional.