sexta-feira, 13 mar. 2026

Manifestação da CGTP em Lisboa junta milhares contra pacote laboral

Está prevista uma reunião plenária da Concertação Social para a próxima terça-feira, num processo negocial que continua a dividir sindicatos, Governo e representantes das empresas
Manifestação da CGTP em Lisboa junta milhares contra pacote laboral

Milhares de pessoas manifestaram-se este sábado em Lisboa contra o pacote laboral apresentado pelo Governo, exigindo a retirada da proposta. A iniciativa foi convocada pela Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP), cujo secretário-geral classificou o diploma como prejudicial para os trabalhadores.

Entre o Cais do Sodré e o Rossio, os manifestantes protestaram contra as alterações à lei laboral e reivindicaram melhores condições de trabalho. Durante o percurso, que durou pouco mais de uma hora, ouviram-se palavras de ordem como: “É só mais um empurrão e o pacote vai ao chão” e “o público é de todos, o privado é só de alguns”.

CGTP exige retirada da proposta

Aos jornalistas, o secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira, afirmou que “este pacote laboral é negativo para o mundo do trabalho e é negativo para os trabalhadores” e alertou que o Governo “sabe que tem no Chega e na Iniciativa Liberal um braço armado para dar continuidade a esta política”.

“Exigimos a retirada do pacote laboral, exigimos discutir a melhoria das condições de vida dos trabalhadores com propostas concretas de alteração à legislação que hoje está em vigor para melhorar as condições de vida de quem trabalha”, acrescentou Tiago Oliveira no início da manifestação, ainda no Cais do Sodré.

Governo mantém intenção de avançar com reforma

O anteprojeto de reforma laboral, designado “Trabalho XXI”, foi apresentado a 24 de julho de 2025 pelo executivo liderado por Luís Montenegro, sustentado por Partido Social Democrata (PSD) e Centro Democrático e Social – Partido Popular (CDS-PP).

A ministra do Trabalho, Rosário Palma Ramalho, já sinalizou a intenção de submeter a proposta de lei ao parlamento, embora sem indicar uma data concreta.

As alterações apresentadas pelo Governo mereceram um “não” das centrais sindicais, que consideram as mudanças um ataque aos direitos dos trabalhadores. A contestação levou a CGTP e a União Geral de Trabalhadores (UGT) a avançarem para uma greve geral conjunta, realizada em 11 de dezembro de 2025.

Concertação Social e posições divergentes

As confederações empresariais saudaram a reforma, ainda que defendam que há margem para ajustamentos.

Na segunda-feira, após reuniões com a UGT e as quatro confederações empresariais, a ministra do Trabalho afirmou que, nas reuniões técnicas, “já houve algumas áreas de conciliação”, nomeadamente em matérias como parentalidade, inteligência artificial e novas tecnologias. “Mas é um consenso ao nível técnico”, acrescentou Rosário Palma Ramalho, escusando-se a detalhar as medidas.

Está prevista uma reunião plenária da Concertação Social para a próxima terça-feira, num processo negocial que continua a dividir sindicatos, Governo e representantes das empresas.