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O ministro da Administração Interna, Luís Neves, afirmou esta quinta-feira que se sente "totalmente legitimado" para continuar a exercer funções, na sequência da polémica relacionada com as obras realizadas numa propriedade sua em Odemira e com o atrelado encontrado nas instalações da empresa responsável pelos trabalhos.
"Quero dizer que me sinto totalmente legitimado para continuar a fazer o meu trabalho. Eu hoje estive aqui como ministro da Administração Interna. Se sentisse o contrário, não estaria aqui", afirmou Luís Neves aos jornalistas, à saída de uma cerimónia realizada na Liga dos Bombeiros Portugueses, em Lisboa.
A declaração surge depois de, na terça-feira, o governante ter afirmado que estava a reunir documentação que considera relevante para esclarecer as polémicas que têm sido conhecidas nas últimas semanas.
PJ abriu inquérito sobre atrelado apreendido
Na passada sexta-feira, a Polícia Judiciária (PJ) anunciou a abertura de um inquérito relacionado com um atrelado apreendido no âmbito de um processo de tráfico de droga e que terá sido encontrado junto a um camião da empresa Construbarcelos, responsável por obras numa propriedade de Luís Neves.
No mesmo dia, a Procuradoria-Geral da República (PGR) confirmou a existência de "um inquérito relacionado com bens apreendidos à ordem do processo designado 'Operação Pacoba'".
A direção nacional da PJ explicou, em comunicado, que tomou conhecimento de que "uma galera apreendida, no âmbito de um inquérito relacionado com o tráfico de estupefacientes, havia sido movimentada e parqueada em Barcelos".
O caso está agora a ser investigado pelas autoridades.
Polémica começou com obras na propriedade do ministro
A polémica teve início a 10 de julho, quando o semanário Sol noticiou que Luís Neves tinha contratado, para remodelar um imóvel que possui em Odemira, uma empresa que anteriormente tinha realizado obras para a Polícia Judiciária, numa altura em que o atual ministro exercia o cargo de diretor nacional daquela polícia.
Segundo a publicação, entre 2020 e 2025, a Construbarcelos recebeu cerca de 1,9 milhões de euros em contratos públicos. O valor foi posteriormente confirmado pelo próprio ministro da Administração Interna, numa entrevista à TVI/CNN.
O caso ganhou novos contornos com a notícia da existência do atrelado apreendido no âmbito de um processo de tráfico de droga e relacionado com a empresa que realizou as obras na propriedade do governante.
Câmara de Odemira verifica legalidade das obras
A Câmara Municipal de Odemira anunciou, entretanto, que está a verificar a legalidade das obras realizadas no imóvel particular de Luís Neves, situado na freguesia de São Teotónio.
Em resposta escrita a questões colocadas pela agência Lusa, o município esclareceu que "não está em curso qualquer processo de licenciamento ou comunicação de obras nos prédios" localizados naquela freguesia.
O ministro da Administração Interna tem afirmado que está a reunir os documentos que considera necessários para esclarecer as várias questões suscitadas pelo caso.
Luís Neves rejeita, contudo, que a polémica coloque em causa a sua legitimidade para continuar a exercer o cargo e garante que mantém o foco no trabalho à frente do Ministério da Administração Interna.