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O Livre saiu do 17.º Congresso, realizado este domingo no Hockey Club de Sintra, com uma nova liderança, uma direção reforçada e a ambição assumida de chegar ao poder já no próximo ciclo eleitoral, seja nas eleições europeias, autárquicas ou legislativas.
No discurso de encerramento, Jorge Pinto, eleito novo porta-voz ao lado de Isabel Mendes Lopes, afirmou que o partido está preparado para dar um novo passo no panorama político português.
"Com esta equipa, nós vamos mostrar que há uma maneira de esquerda ecologista, libertária e europeísta de fazer política em Portugal", afirmou, perante os congressistas.
O novo dirigente sustentou que o Livre continuará a crescer e a consolidar a sua implantação no país, antecipando que "já no próximo ciclo eleitoral" o partido será "poder".
"Foi para isso que o Livre nasceu: para ser poder, para mudar a vida das pessoas e para dizer que há um Portugal que nós amamos e pelo qual vale a pena lutar", concluiu.
Isabel Mendes Lopes desafia PS a pressionar PSD
Também no encerramento do congresso, Isabel Mendes Lopes dirigiu um apelo ao Partido Socialista para impedir uma eventual revisão constitucional apoiada pelo PSD e pelo Chega.
A líder parlamentar considerou que os socialistas dispõem dos votos necessários para condicionar os sociais-democratas e defendeu que o PS deve avisar o PSD de que, caso avance com uma revisão constitucional "à direita", deixará de contar com o apoio socialista, incluindo na aprovação do próximo Orçamento do Estado.
A dirigente acusou PSD e Chega de pretenderem "esventrar a Constituição" e reiterou a oposição do Livre a qualquer alteração constitucional conduzida exclusivamente pelos partidos da direita.
Críticas ao Governo nas áreas da imigração, SNS e direitos fundamentais
No seu discurso, Isabel Mendes Lopes traçou um retrato crítico da ação do Governo PSD/CDS-PP, acusando o executivo de privilegiar temas relacionados com imigração, nacionalidade ou símbolos religiosos em detrimento de problemas como o acesso à habitação e o estado do Serviço Nacional de Saúde.
A dirigente criticou ainda iniciativas que, na sua perspetiva, colocam em causa direitos da comunidade LGBTQIA+, das mulheres e dos imigrantes, alertando para o risco de retrocessos em matérias como a interrupção voluntária da gravidez, a eliminação do conceito de violência obstétrica ou a revisão da legislação sobre as chamadas terapias de conversão sexual.
Apesar do crescimento eleitoral do partido nos últimos anos, Isabel Mendes Lopes defendeu que o objetivo passa agora por "ampliar e enraizar" a implantação do Livre em todo o território.
Direção reforça maioria e Rui Tavares mantém-se no Grupo de Contacto
A lista A, liderada por Isabel Mendes Lopes e Jorge Pinto, venceu as eleições para o Grupo de Contacto, órgão executivo do partido, ao conquistar 432 votos (67,9%) e 11 dos 15 lugares disponíveis, reforçando a maioria alcançada no mandato anterior.
A lista S, encabeçada por Rodrigo Brito, obteve três lugares, enquanto a lista V, liderada por Tiago Mota, elegeu um representante.
Rui Tavares deixa as funções de porta-voz, que desempenhou durante quatro anos, mas mantém-se na direção, onde ficará responsável pelas áreas da estratégia, comunicação e formação.
Outra novidade aprovada é a criação do cargo de secretário-geral para assegurar a coordenação operacional do partido, função que será desempenhada por Tomás Cardoso Pereira.
Além da eleição da nova direção, o congresso escolheu também os membros do Conselho de Jurisdição e da Assembleia do Livre, órgão máximo entre congressos, consolidando a nova estrutura dirigente que conduzirá o partido até ao próximo mandato.