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O ministro da Presidência, António Leitão Amaro, afirmou esta quarta-feira que os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) e da Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA) sobre a população estrangeira em Portugal “serão sempre diferentes”, devido a metodologias e universos de análise distintos.
“Juro-vos que não conheço os números do INE”, afirmou o governante durante uma audição no Parlamento, sublinhando que espera a divulgação dos dados oficiais sobre a população residente — incluindo portugueses e estrangeiros — no final de junho.
Leitão Amaro explicou que as diferenças entre as duas entidades são estruturais e tendem a ser mais evidentes num contexto de forte aumento da imigração.
Os dados dos dois organismos divergem, em parte, porque o INE está a alterar a sua metodologia de recolha de informação, passando a privilegiar o cruzamento de dados administrativos — como segurança social, escolas e impostos — em detrimento de inquéritos por amostragem.
Segundo o ministro, esta transição metodológica está a causar atrasos na publicação dos dados e exige maior rigor na validação da informação.
Em abril do ano passado, a AIMA divulgou um relatório intercalar que apontava para cerca de 1,6 milhões de cidadãos estrangeiros com títulos de residência válidos em Portugal no final de 2024, incluindo mais de um milhão de pessoas que não constavam das estatísticas anteriores.
Já o INE estimou, em junho de 2025, que a população residente em Portugal se situava nos 10,75 milhões de pessoas no final de 2024, um aumento de cerca de 110 mil habitantes face ao ano anterior — um valor bastante inferior ao registado pela AIMA no universo de estrangeiros com autorização de residência.
A divergência entre os dois organismos foi levantada pela Iniciativa Liberal (IL), que questionou o Governo sobre a ausência de dados atualizados do INE relativos à população residente.
O deputado liberal Rui Rocha alertou para o impacto da falta de dados consistentes nas políticas públicas, sobretudo nas áreas da educação, saúde e integração.
Em resposta, Leitão Amaro explicou que o INE não atualizou as estatísticas por falta de fiabilidade dos dados disponíveis à data e devido à necessidade de integrar informação mais completa proveniente da AIMA.
O processo de harmonização estatística inclui o cruzamento de microdados e a imputação retroativa de informação, garantindo que cada entrada de residente é contabilizada no período correto, com base em critérios de permanência mínima de 12 meses.
O ministro sublinhou ainda que a AIMA produz dados sobre “títulos válidos de residência”, o que pode incluir pessoas que já não residem no país ou que permanecem em Portugal há menos de um ano.
“As realidades são diferentes e os números serão sempre diferentes”, concluiu António Leitão Amaro.