José Luís Carneiro ganha balão  de oxigénio com vitória de Seguro

Ainda no entusiasmo da vitória de António José Seguro nas presidenciais, e na passgem à 2.ª volta destacado, o secretário-geral socialista anunciou a realização de diretas em que será recandidato e congresso do PS para final de março. Há quem o acuse de querer ‘cavalgar a onda’, mas também há prazos a cumprir
José Luís Carneiro ganha balão  de oxigénio com vitória de Seguro

A vitória de António José Seguro na primeira volta das eleições presidenciais deu um balão de oxigénio à liderança de José Luís Carneiro que, na mesma noite, anunciou a convocação de eleições diretas para secretário-geral do PS, a que se recandidatará, e congresso para março, depois da tomada de posse do novo Presidente da República. A data das eleições internas vai ser proposta já no próximo sábado, em reunião da Comissão Nacional, mas tudo aponta para que se realizem nos dias 13 e 14 de março, enquanto o congresso deverá ficar marcado para 15 dias depois.

Um timing que não agrada a todos os socialistas, havendo quem critique o secretário-geral socialista por estar a tentar ‘cavalgar a onda’ de Seguro. «Depois de ter passado a campanha para as presidenciais a disparar tiros de pólvora seca, com o argumento de que era preciso marcar a agenda, coisa que os portugueses naturalmente nem quiseram saber, faz ontem [domingo] uma declaração de 11 minutos cheia de frases feitas, sem uma mensagem concreta e rápida e tentando ser um protagonista da noite, o que não era. Mas não satisfeito com isso, ainda difunde informação sobre a marcação de um congresso e o anúncio de que será recandidato», acusou Ascenso Simões no Facebook. E questionou: «Carneiro ainda não percebeu que não vai ter nenhum adversário, que a sua liderança só será avaliada em 2028 e que o PS vai passar oito anos na oposição até voltar a poder sonhar com a governação?».

José Luís Carneiro já veio esclarecer que o seu mandato terminou em dezembro, porque era intercalar, já que foi para concluir o de Pedro Nuno Santos, que se demitiu na sequência da derrota das legislativas de maio. E internamente nem todos põem em causa a decisão. Fontes ouvidas pelo Nascer do SOL lembram que «só os socialistas menos atentos é que poderão ficar surpreendidos com este anúncio, uma vez que o calendário assim o obriga», recordando que o congresso já devia ter sido realizado após-autárquicas, mas face à proximidade das presidenciais foi adiado.

Ainda assim, admitem que os mais de 31% de votos alcançados por António José Seguro, correspondentes a mais de 1,7 milhões de votantes, terá animado José Luís Carneiro, após os resultados desastrosos nas últimas eleições legislativas, com o PS a ter apenas 23,38% dos votos, o pior resultado de sempre em eleições para o Parlamento, que ditou a ultrapassagem do Chega e o fim do bipartidarismo.

Um cenário que as últimas autárquicas não desagravaram, um vez que o PS não conseguiu ir além dos 28,55%, perdendo as cinco câmaras mais importantes do país para a AD.

Recorde-se que José Luís Carneiro foi eleito secretário-geral do PS em julho do ano passado, com mais de 17.434 votos, substituindo Pedro Nuno Santos. Na altura, prometeu ser um líder ponderado e com sentido de responsabilidade, mas prometeu fazer oposição ao Governo de Luís Montenegro. «Procuro ser parte da construção de caminhos melhores para o país. Tenho dito que é preciso ouvir mais e dar mais voz à sociedade. Temos de ir ao encontro das necessidades das pessoas», afirmou.

É certo que não tem tido oposição interna visível e conquistou socialistas na abstenção no último Orçamento do Estado, que considerou ser «uma abstenção exigente», assegurando estabilidade política no país sem abdicar das suas convicções nem da defesa dos direitos sociais.

Já em relação às presidenciais, deu um passo na consolidação de uma candidatura ao anunciar o apoio do partido a António José Seguro. E, apesar da noite eleitoral só falado na sede nacional do PS, não aparecendo nas Caldas da Rainha, fez questão de lembrar que, mesmo tratando-se de «um candidato suprapartidário, o PS vive com muita alegria este momento da vida democrática».