Se fizesse o filme da sua vida, qual seria a imagem mais antiga? Até onde vai a sua memória pessoal?
A minha primeira memória deve ser quando estaria ali, talvez quatro, cinco anos, estar de férias num parque de campismo com os meus pais, não sei bem onde, a montar a tenda. Nós viajámos muito pela Península Ibérica , também podia ter sido em Espanha.
E qual seria a imagem mais feliz no filme da sua vida?
O nascimento da minha filha.
E a mais triste?
A mais triste foi quando se percebeu que o meu irmão tinha mesmo uma doença cardíaca crónica, que era uma coisa para a vida e que era incurável.
Ainda se lembra do seu primeiro amor? Pensou que era para a vida?
Lembro-me perfeitamente. Não sei se pensei que era para a vida, mas achei que aquilo era a expressão mais pura do amor.
E nunca teve curiosidade em fumar um charro ou dar um cheiro de cocaína?
Eu, na verdade, era bastante careta. No quinto e sexto ano da escola era do clube dos caça-cigarros. Andávamos com uns pins contra fumar. Mas fui uma pessoa do meu tempo, experimentei, se calhar, uns 10 cigarros e talvez menos do que isso charros. Já a cocaína nunca me passou sequer pela cabeça, até porque sou bastante crítico daqueles que consomem, sabendo o que tudo isso implica em termos de morte, em termos de tráfico, em termos de criminalidade pesada.
Quais são os três filmes e as três músicas da sua vida?
Os três filmes são A Princesa Mononoke, de Miyazaki, Stalker, de Tarkovski e os Mutantes de Teresa Villaverde. Já as músicas , escolho três canções bastante diferentes. Uma de reggae, que é o Little Birds, do Bob Marley, A Música, da Naifa. E uma terceira, que é, na verdade, uma obra clássica, que tem um título em latim, que é In Tempus Praesents, que significa no tempo presente, que acho que se aplica bem à minha candidatura, de Sofhia Gubaidulina.
Qual foi o melhor jogo de futebol (ou de outra modalidade), que viu?
Vi muitos, mas vou escolher dois que não vi ao vivo. O primeiro de futebol, a final do Europeu, que ganhámos, em 2016. Que foi especial. E o outro, que é a minha modalidade favorita, que é o andebol, que foi o jogo contra a França, em que nos qualificámos, pela primeira vez e única, para os Jogos Olímpicos. Que foi resolvido no último segundo. Portanto, foi assim um pequeno milagre que conseguimos nessa altura.
Se visse um familiar a sofrer horrores, sem qualquer hipótese de melhorar, teria coragem de pedir aos médicos para acabarem com o sofrimento, pedindo-lhes que desligassem as máquinas?
Se soubesse que era a sua vontade, e por muito que isso me custasse, teria essa coragem de pedir aos médicos, sim. Ou se percebesse que era um sofrimento, para lá daquilo que, naquele momento, eu achasse que era o aceitável, com todos os problemas e lutas de consciência que certamente iria ter.
Se for eleito Presidente, como vai festejar? Com uma boa ceia acompanhada de um bom vinho? E abrirá uma garrafa de champanhe?
Acho que ia festejar com um bom descanso, junto da família, que é aquilo que tem faltado. E isso seria a melhor maneira também de festejar.