Relacionados
Nunca sentiu que Oeiras era pequena para a sua ambição?
Oeiras nunca foi pequena e a minha ambição é da grandeza de Oeiras que não se mede em quilómetros quadrados, mas sim na capacidade de transformar a vida das pessoas. Oeiras é um dos concelhos mais dinâmicos do país, com qualidade de vida, inovação, empresas tecnológicas. As pessoas gostam de viver em Oeiras, têm orgulho nisso, portanto, Oeiras é grande, muito grande.
Qual a obra que quer deixar em Oeiras?
Um concelho inovador, moderno, qualificado, com habitação acessível e preparado para o futuro, com igualdade de oportunidades, onde a Educação é acessível a todos, onde as pessoas têm casas dignas para viver. Quero deixar um modelo de desenvolvimento que dure décadas.
O Taguspark é a ‘menina’ dos seus olhos?
A menina dos meus olhos é e será sempre a nossa política de habitação. Os nossos empreendimentos de habitação pública, que transformam a vida das pessoas. Mas claro que, indiscutivelmente, Taguspark é especial porque foi o primeiro polo empresarial do concelho ligado à Ciência e Tecnologia e foi o motor de arranque para o modelo de desenvolvimento económico que hoje é reconhecido em Oeiras.
Não o incomoda que Cascais ou o Estoril tenham uma fama de riqueza que Oeiras não tem?
Não sei que fama de riqueza é que se refere. Oeiras é concelho onde as pessoas têm o rendimento médio mensal mais elevados do país, onde estão concentradas as maiores empresas. Oeiras é o segundo Município que mais gere riqueza para o país, a seguir a Lisboa. A riqueza de uma sociedade mede-se pela qualidade de vida das pessoas que lá vivem.
Piteira Lopes disse que se abrisse um restaurante que não o convidaria, pois acredita que daria prejuízo. Como responde?
(Risos) Eu também não queria ir porque o Nuno tem ar de não ser grande cozinheiro. Magrinho como é, deve querer servir daquelas doses pequeninas que não convencem ninguém.
Mas se o Piteira Lopes me quiser convidar sem medo do prejuízo, pode convidar-me antes para cozinhar que eu tenho muito prazer em fazê-lo e ele está a precisar de comer.
Tem um ‘ódio’ de estimação chamado André Ventura. Acredita que poderá contribuir para o decréscimo do Chega?
O ódio não faz parte do meu coração. Eu não odeio o André Ventura, eu odeio o que ele representa. Liberdade para todos, exceto para os inimigos da liberdade!
Como olha para o processo Marquês? Acha normal esta ‘rábula’ dos advogados?
Na maior parte dos dias preferia não olhar para o processo Marquês. Continuo ingenuamente a acreditar no Estado de direito democrático e continuo a acreditar que no Estado de direito democrático as garantias dos arguidos são uma aquisição civilizacional e o que nos defende da barbárie.
Mantém alguma relação com os detidos que conheceu na cadeia?
Procuro manter relações com todas as pessoas que foram importantes em alguma fase da minha vida. Conheci pessoas notáveis na prisão e por isso não as esqueço.
É verdade que um grande amigo lhe levava uns belos bifes à cadeia?
Teria sido bom receber esses bifes, em vez da comida miserável que é servida aos reclusos nas prisões portuguesas. A única que eu comida normal que eu recebia era ao fim de semana que a minha mulher me levava – e quando a generosidade dos guardas a deixavam passar.
Disse em 2016 que todos os seus amigos viviam melhor do que o senhor. Hoje a história mantém-se?
Em 2016, sobraram-me os amigos verdadeiros que todos, ou quase todos viviam melhor do que eu. Entretanto fui fazendo novos amigos, alguns deles com menos do que eu, mas na realidade quase todos com muito mais. Não mudei muito, continuo a valorizar os novos amigos que fazem todos os dias, acreditando que mesmo que nem todos sejam autênticos, se de todos eles sobrarem dois ou três, já valeu a pena. Devemos confiar sempre nas pessoas. Continuo a acreditar que devemos dar oportunidade a nós próprios de termos amigos. Se estivermos enganados, valeu a pena ter confiado nos que se mantêm.
Se soubesse que só tinha 24 horas de vida, que refeições escolheria?
Acho que escolheria uma barriga de porco cozida bem salgada, com três meses de sal, com pão de centeio transmontanos e um belo vinho tinto transmontano. Todos nós no fim procuramos voltar às nossas raízes.
E o charuto?
Depois de uma barrigada transmontana, o charuto, naturalmente, e então partia em paz, com tudo e com todos.