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São muitas as pontas por deslindar no caso do assalto ao gabinete de André Ventura, na Assembleia da República. Questionado pelo SOL, o líder do Chega revelou que esta não foi a primeira vez que houve intrusão ilícita no seu gabinete e contou que, aquando da visita do presidente do Parlamento ucraniano à Assembleia da República, há dois meses, num dia de muito movimento, deixaram em cima da sua secretária uma mensagem escrita em papel muito direta: ‘BOMBA’. O partido de André Ventura apresentou a ‘prova’ da ‘ameaça’ ao Ministério Público que acabaria por arquivar a denúncia no final de junho.
O partido foi notificado do arquivamento há dias, já em julho. No despacho de arquivamento, a que o SOL teve acesso, o procurador fundamenta «não ter sido possível ao Ministério público obter indícios suficientes de quem foram os agentes do crime denunciado».
Já quanto ao assalto desta semana, o SOL questionou Ventura sobre se já tinha pedido a lista das pessoas que saíram mais tarde nessa noite ou de quem tinha entrado mais cedo no dia seguinte: «Deve haver uma lista, tal como eles sabem que eu saí logo àquela hora e os restantes a que horas saíram, eles também sabem quem é que entra e porquê. Porque depois não há, tanto quanto sei, um sistema de vídeo interno. Portanto, têm de ter a lista das pessoas que estavam na Assembleia a partir daquela hora. Deixámos isso com as autoridades, não quero estar a interferir, até para não dizerem que queremos condicionar alguma coisa ou influenciar alguma coisa».
Ventura acrescenta ainda: «Por exemplo, há um elevador que dá acesso direto ao átrio de entrada da minha porta, e deixámo-los completamente livres para fazerem o seu trabalho». «Tem que se concluir que há brechas de segurança brutais. Isto é uma evidência. E outros deputados também me disseram que tudo o que denunciaram, por exemplo, o Duarte Pacheco, foi tudo arquivado. Ou nunca se soube o que é que tinha acontecido», acrescentando que irá apurar a possibilidade de instalar câmaras de segurança. «Temos que ver se é possível ou não, mas é uma hipótese que temos».
Quanto ao material roubado, Ventura assume que não tinha cópias, mas está esperançado que quem lhe enviou as informações que o voltará a fazer. «Acredito que me farão chegar essas informações. Algumas relacionadas com o gabinete do primeiro-ministro, umas sobre o Siresp, e, claro, sobre Luís Neves».
Quanto ao facto de ter deixado a porta aberta, recorda que no vídeo que fez na semana anterior, todas as portas de todos os partidos estavam abertas à noite.