Imprensa internacional destaca vitória do “moderado” sobre o “populista” em Portugal

De Espanha à Alemanha, passando por França, Reino Unido e Brasil, os principais meios internacionais sublinham o perfil conciliador de António José Seguro e a derrota clara de André Ventura na segunda volta das presidenciais portuguesas.

A vitória do “socialista” e “moderado” António José Seguro sobre o “populista” de “extrema-direita” André Ventura nas eleições presidenciais portuguesas mereceu amplo destaque na imprensa internacional, que sublinha o caráter claro do resultado e o perfil conciliador do novo Presidente da República.

“O socialista António José Seguro derrota nas presidenciais o populista André Ventura. Os portugueses elegeram um moderado, que estava há mais de uma década fora da política, para substituir Marcelo Rebelo de Sousa”, escreve o espanhol El País. O jornal recorda que Seguro foi inicialmente “desdenhado pelos barões do Partido Socialista” no arranque da corrida a Belém e salienta que acabou por vencer “com um estilo conciliador frente ao populismo” do líder do Chega.

Também em Espanha, o El Mundo fala numa “vitória ampla do socialista Seguro frente ao ultradireitista Ventura”, uma leitura partilhada pelo francês Le Monde. O diário francês, que classifica Ventura como candidato da “extrema-direita”, lembra que o recém-eleito chefe de Estado assegurou “o apoio de numerosas personalidades políticas da extrema-esquerda, do centro e mesmo da direita”, embora não tenha contado com o apoio do primeiro-ministro, Luís Montenegro.

Na Alemanha, o Der Spiegel destaca o contexto meteorológico adverso: “No meio de fortes tempestades, os portugueses elegeram um novo presidente. As projeções iniciais mostram o candidato populista de direita Ventura muito atrás do socialista Seguro”. Já o britânico The Guardian sublinha que “a sucessão de tempestades nos últimos dias não demoveu os eleitores”, notando que a participação foi semelhante à da primeira volta, realizada a 18 de janeiro.

O Politico descreve Seguro como “um moderado que ganhou a primeira volta em 18 de janeiro” e que se tornou “uma escolha segura para contrariar o candidato do Chega”, caracterizado como “anticiganos, anti-imigrantes e antissistema”. No Brasil, o jornal O Globo opta por um título direto: “Socialista António Seguro derrota candidato da extrema-direita”.