IL sabia das acusações de assédio a Cotrim de Figueiredo há dois anos

João Cotrim de Figueiredo já abriu um processo de difamação contra a ex-assessora e considera as alegações, que já circulavam dentro do partido, uma “manobra política”.
IL sabia das acusações de assédio a Cotrim de Figueiredo há dois anos

João Cotrim de Figueiredo soube domingo à noite que a polémica ia consumir a sua campanha presidencial. Foi através de um “story” nos “Amigos chegados” das redes sociais, opção que permite ao utilizador restringir o número de pessoas que podem aceder a esse conteúdo, que Inês Bichão, ex-assessora do gabinete da Iniciativa Liberal, divulgou uma acusação de assédio sexual relacionada com o candidato presidencial - citando explicitamente três frases de cariz sexual que lhe terão sido dirigidas pelo próprio. A imagem começou a circular até chegar ao sistema mediático na segunda-feira. 

Segundo apurou o Observador, as alegações de assédio não são novas - a IL já as conhece há cerca de dois anos. 

As mensagens acerca da publicação da antiga assessora, agora colocada num gabinete do Governo, chegaram ao assessor de imprensa de Cotrim de Figueiredo que, após uma visita na segunda-feira à UBI Medical na Covilhã, se isolou com o candidato para prepararem aquela que seria a resposta às perguntas dos jornalistas. 

Cotrim de Figueiredo afirmou, então, que a alegação era “absolutamente falsa” e condenou a “política suja”. “Não me vão amedrontar”, declarou o ex-presidente da Iniciativa Liberal. 

“Perguntem a qualquer das dezenas de mulheres que trabalharam comigo ao longo destes anos se têm alguma razão de queixa, incluindo as mulheres que trabalharam comigo na altura desta senhora”, desafiou Cotrim de Figueiredo, citado pelo Observador. 

Poucos minutos depois, já havia um comunicado em que referia que ia avançar com um processo de difamação contra a autora das alegações. 

Após as declarações do candidato a Belém, várias mulheres fizeram publicações nas redes sociais onde surgem a defendê-lo: a deputada Joana Cordeiro, a ex-deputada Patrícia Gilvaz, Cláudia Neto e as funcionárias do gabinete Paula Almeida e Amanda Santos. Neste momento, há já uma carta aberta a circular assinada por 30 mulheres. 

Apesar de já saber de véspera que a polémica iria sobressair naquele dia, Cotrim de Figueiredo não cancelou as ações de campanha previstas, nomeadamente aquelas que criaram mais polémica após dizer que “não excluía” votar em nenhum candidato numa hipotética segunda volta em que não participasse. 

João Cotrim de Figueiredo revelou que iria abrir um processo de difamação contra a ex-assessora e considera as alegações, que já circulavam dentro do partido, uma “manobra política”.

Esta quarta-feira, durante uma ação de campanha em Montemor-o-Velho, Cotrim de Figueiredo reagiu às alegações de que tinha conhecimento das acusações de assédio sexual, garantindo que nunca tinham passado por ele. "Eu não tinha conhecimento de nenhuma daquelas situações que foram relatadas, elas não correspondem à verdade, são completamente falsas, não tinha conhecimento”, afirmou o eurodeputado e ex-presidente da Iniciativa Liberal, citado pelo Observador.

O candidato não adiantou uma data para a formalização da queixa que está a ser preparada, e garante: "“Agora só vou falar disso em tribunal”.

[notícia atualizada às 14h41 do dia 14 de janeiro de 2026]