Relacionados
A Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) não encontrou indícios de favorecimento na cirurgia a que foi submetido o líder parlamentar do PSD, Hugo Soares. De acordo com a CNN Portugal, o relatório preliminar dos inspetores conclui que o procedimento decorreu dentro das regras e com base em critérios clínicos.
A investigação incidiu sobre a possibilidade de ter existido uma “cunha” no acesso à operação, realizada no Hospital de Santo António, no Porto, unidade onde o cirurgião Eurico Castro Alves exerce funções e mantém uma relação de proximidade com o primeiro-ministro, Luís Montenegro.
Segundo o documento da IGAS, “não se conclui existir irregularidades” no processo, afastando suspeitas quanto ao facto de o deputado ter sido operado fora da sua área de residência. A entidade sublinha que a decisão clínica foi devidamente fundamentada.
Uma perícia médica independente analisou o caso e confirmou que a patologia apresentada justificava prioridade cirúrgica. Hugo Soares tinha recorrido à urgência daquela unidade hospitalar a 13 de julho de 2024, tendo recebido pulseira amarela e sido encaminhado para cirurgia geral devido a uma doença inflamatória.
A intervenção, uma cirurgia robótica ao cólon, realizou-se a 29 de agosto, cerca de um mês e oito dias após a inscrição na lista nacional de espera, dentro do prazo máximo de resposta garantido para situações prioritárias, fixado em dois meses.
O relatório refere ainda que, à data, apenas existia um doente em lista para o mesmo tipo de cirurgia, que foi operado antes do líder parlamentar social-democrata pelo mesmo especialista.
Apesar das conclusões da IGAS, o caso não está encerrado. O Ministério Público mantém um inquérito em curso para apurar eventuais responsabilidades criminais.