Hugo Soares. "Cada voto em Cotrim corresponde à eleição de Seguro como Presidente"

Recusa-se a admitir um cenário em que o candidato da AD, Luís Marques Mendes, não esteja na segunda volta, relativiza as sondagens e diz que o Governo não precisa de ter conforto em Belém, mas, sim, um Presidente da República "com preparação", pela "estabilidade" e "tranquilidade".
Hugo Soares. "Cada voto em Cotrim corresponde à eleição de Seguro como Presidente"

Já sabe o que vai dizer, em nome do PSD, no dia 18 de janeiro, quando for confrontado com a não passagem de Luís Marques Mendes à segunda volta das presidenciais?

Creio que das duas uma: ou é adivinha ou é ave de mau agoiro. Aquilo que conto dizer no dia 18 é uma coisa muito simples: estamos preparados para uma segunda volta, onde o nosso candidato vai continuar a demonstrar que é o candidato mais bem preparado para ser Presidente da República. É só isso que conto dizer no dia 18.

Deixe-me dizer que andei na estrada e vi um candidato fisicamente frágil, que até foi questionado sobre a idade. E, de forma paralela, temos também uma fragmentação visível do PSD. Duas questões: nada disto o inquieta?

Não me levará a mal se eu tiver de contrariar os pressupostos da pergunta. Em primeiro lugar, eu ando na rua todos os dias. Não andei na campanha um ou dois dias, estou na campanha todos os dias. E acompanho o candidato e falo com o candidato diariamente...

Entrou na campanha para dizer que "não faço frete nenhum", diria que não é a melhor forma.

Eu não disse que não estava a fazer um frete. Se me deixar responder a uma pergunta, eu respondo-lhe a todas. Basta que me deixe responder a todas. Então vamos lá. Estive na campanha desde o primeiro momento e sinto o candidato com muita força. Sinto o candidato animicamente muito positivo e sinto uma grande adesão na rua. Sinto uma coisa que não sinto noutras campanhas: não é necessário o candidato ir ter com as pessoas, as pessoas vêm ter com ele. O candidato Luís Marques Mendes tem uma notoriedade, uma popularidade e um afeto que as pessoas lhe tributam há muitos anos. E isso nota-se na rua. O que me leva a dizer que, do ponto de vista da campanha e da adesão à candidatura, sinto o contrário do que a sua pergunta coloca. Isto dito, se me coloca a questão de haver militantes do PSD, alguns com responsabilidades no passado, que apoiam outras candidaturas, isso é factual. Mas gosto de ver as coisas também do outro lado. Quando temos um Eduardo Barroso, que é alguém que todos sabemos ser da família do Partido Socialista, alguém próximo de um fundador do Partido Socialista, um soarista...

Isso é uma preocupação do PS, não é a sua. Gostaria que se concentrasse naquilo que é a sua preocupação.

Mas é que eu não tenho essa preocupação. Estou-lhe a dizer, é isso que me dá motivação e é isso que me demonstram os apoios que a minha candidatura tem. Eu não comento os apoios das outras candidaturas, era só o que me faltava!

Não o incomoda?

De todo. Incomodar o quê? Ter militantes do PSD, como haverá militantes do PS ou do PCP, que apoiam outras candidaturas que não são as dos seus partidos? É normal nas candidaturas presidenciais, que têm precisamente essa tradição de as pessoas, dentro dos partidos, poderem escolher livremente os candidatos que apoiam. Acho isso muito natural.

Ainda assim, houve notícias de que teve necessidade de relembrar, nomeadamente ao grupo parlamentar, quem era o candidato do PSD.

Devo dizer que, como jornalista, deve estar habituada a não acreditar em tudo o que lê. Olhe, eu não acredito. Devo dizer que não convoquei nenhuma reunião do grupo parlamentar para falar de eleições presidenciais. É completamente absurda essa ideia. Convoquei uma reunião normal do grupo parlamentar, a primeira do ano, para falar do ano legislativo, e creio que é obrigação do presidente do grupo parlamentar, como sempre faz em todas as reuniões dos grupos parlamentares que preside, fazer uma análise da situação política. Nesse contexto, lembrei às senhoras e aos senhores deputados que esta semana — que é uma semana em que não há trabalhos parlamentares — lhes pedi, evidentemente, o envolvimento na campanha para as eleições presidenciais. Mas isso não significa nem qualquer receio do resultado, nem nenhuma mudança de estratégia. Isso é o normal curso das coisas. Mas quero que fique claro: eu não convoquei nenhuma reunião do grupo parlamentar para esse efeito. Ri-me quando li a notícia. Já não me preocupo em desmentir notícias, porque, de resto, seria algo inusitado e ocupar-me-ia muito tempo. Não convoquei nenhuma reunião para o efeito. A análise da situação política, evidentemente neste contexto, passa também pelas eleições presidenciais. Isso é evidente.

Falámos da rua e temos experiências diferentes, claramente. Por exemplo, o hino de LMM fala "da mudança", mas quando questiono as pessoas, à passagem do candidato, muitas dizem que vão votar na mudança, e essa mudança não passa pelo candidato do PSD, a quem — e vou usar um termo do Estado Novo — associam como candidato da situação.

Deixe-me dizer-lhe: mas se calhar aí estamos de acordo. Acho que Marques Mendes é mesmo o candidato da situação, enquanto olharmos para a situação como estabilidade política, confiança e tranquilidade. Vamos lá ver: o que é a Presidência da República? Acho que estamos todos a laborar num equívoco — não diria todos, mas o espaço mediático e político. A Presidência da República, o exercício da função de Presidente da República, está muito bem balizada nos poderes presidenciais definidos pela Constituição da República. E o que espero de um Presidente da República? Espero, em primeiro lugar, previsibilidade. É verdade. Não quero alguém que diga uma coisa hoje e que amanhã diga outra, como ainda hoje aconteceu. Acabei de ver uma declaração de Cotrim de Figueiredo a dizer: ‘Não sei o que é que me passou pela cabeça para ter dito o que disse ontem’. Não quero um Presidente da República que tenha laivos e que, no dia seguinte, se arrependa. Quero um candidato a Presidente da República que as pessoas conheçam, que lhe conheçam o pensamento; podem até discordar, mas que saibam o que pensa sobre as diversas áreas, que não esconda o que pensa. Quero um candidato que seja confiável. Quero um candidato que seja previsível. E quero um candidato que seja pela estabilidade — pela estabilidade política, pela estabilidade social. E que, sim, seja um árbitro, que não seja um jogador do jogo, que seja absolutamente imparcial. Tudo ponderado, não tenho dúvida de que Marques Mendes representa os valores que identifico na Presidência da República. Dir-me-á: haverá gente que acha que este é um momento de rutura na Presidência da República e no sistema político? Acredito que sim, mas creio que a maioria do país se identifica com esta visão que tenho para a Presidência da República — que nós temos — e, por isso, estou muito confiante no resultado eleitoral.

Também pelo que acaba de dizer, tenho de lhe perguntar: entre todos os candidatos presidenciais com possibilidades de passar à segunda volta, qual é que incomodaria menos o PSD? Posso supor que não é tanto Seguro mas mais a imprevisibilidade de Gouveia e Melo?

Não, não pode. Não pode supor absolutamente nada. Olhe, e vou usar as palavras do candidato que apoio: só se eu não percebesse nada de política, como alguns candidatos o demonstram. E chamo a atenção para o facto de que o lugar de Presidente da República é um lugar eminentemente político; não é o lugar de uma associação recreativa e cultural, é um lugar político. É um lugar que representa os meus filhos, os meus pais, a mim e a todos os cidadãos. É um lugar político, de representação política ao mais alto nível. Ora, se tenho um candidato em quem acredito, se depositamos a confiança nesse candidato e se entendo que esse candidato tem todas as condições para passar à segunda volta e ser Presidente da República, o que seria de mim, que interpretação se faria, se hoje estivesse a dizer quem é o candidato que incomoda ou que não incomoda?

Não está disponível para pensar no dia seguinte?

Devo dizer-lhe que, do que tenho assistido na campanha, só há um candidato que é verdadeiramente pela estabilidade política. Já vi candidatos a dizer que demitiriam ministros ou que exigiriam a admissão de ministros; já vi candidatos… olhe, vou-lhe dar o exemplo que, para mim, é mais paradigmático de tudo isto, porque, de facto, em campanha eleitoral…

Acho que não está a ser completamente abrangente, porque há outros candidatos que, não sendo, obviamente, aquele que é apoiado pelo PSD, têm falado insistentemente em serem fatores de estabilidade.

Pois, eles dizem que são fatores de estabilidade, mas depois, quando fazem comentários sobre matérias políticas, acabam por ser promotores de instabilidade. Vou-lhe dar um exemplo factual: veja o caso do candidato Cotrim de Figueiredo, que fez uma campanha apelando aos votos da área política do PSD, chegando mesmo a escrever uma carta ao primeiro-ministro, dizendo que ‘está aqui o grande candidato amigo do Governo’. A hipocrisia na política deve ser mesmo condenada. É bom recordar aos portugueses que, há dois meses, votou-se o Orçamento do Estado para o ano de 2026.

Cotrim de Figueiredo não é o líder da Iniciativa Liberal, nem está no Parlamento.

Pois não, mas disse publicamente que apoiava o voto contra da IL ao Orçamento do Estado. Ora, um candidato que diz ser pela estabilidade, no primeiro Orçamento de um Governo legitimado, defende o chumbo partidário do Orçamento do Estado.

Um liberal no Palácio de Belém poderia ser, digamos, um impulso para uma atividade mais reformista do Governo.

O Presidente da República não governa, ponto número um. E ponto número dois: no essencial, que diz respeito à estabilidade política, ou seja, à aprovação ou não do Orçamento do Estado, Cotrim de Figueiredo apoiou o voto contra. Portanto, para mim é muito simples: não vale tudo na política, e a hipocrisia deve mesmo ser condenada. Não posso dizer que sou a favor da estabilidade política e, ao mesmo tempo, defender o voto contra o Orçamento do Estado. As duas coisas não são compatíveis.

Aquilo que noto é que há uma preocupação do PSD relativamente à candidatura de Cotrim de Figueiredo. Agora, e honestamente, porquê? Sente, intui, instintivamente percebe que, seja com muita ou pouca amplitude, este é o candidato que mais votos pode vir a tirar à AD?

Por uma razão muito simples, que já disse até publicamente, e que aqui explico com mais detalhe: todos os estudos de opinião que conhecemos colocam, grosso modo, os candidatos dentro da margem de erro para passar à segunda volta. E todos os estudos de opinião, aí são unânimes, dizem que Luís Marques Mendes é o candidato que, na segunda volta, tem mais condições para ganhar as eleições a qualquer outro candidato. Tenho para mim muito claro que a candidatura de Cotrim de Figueiredo não passa à segunda volta. E que cada voto em Cotrim de Figueiredo corresponde à eleição de António José Seguro como Presidente da República. É muito simples: creio que está consensualizado na sociedade e, nos estudos de opinião, já agora, que qualquer candidato que dispute, eventualmente, uma segunda volta com André Ventura lhe ganha a eleição. Ora, o que nós estamos a fazer para promover a candidatura de Seguro à segunda volta é votar em Cotrim e permitir que Seguro seja Presidente da República. E eu não quero um candidato daquele espaço político…

Mas aí teríamos os dois candidatos dos partidos tradicionais, PS e PSD, digamos, em disputa. Por que não convém ao PSD que seja assim?

Estamos a partir de um pressuposto errado, não leve a mal. Todas as opiniões neste momento, todas as que tenho visto, indicam uma presença na segunda volta do candidato de André Ventura. O que até percebo, porque, do ponto de vista do eleitorado mais fixo, talvez o Chega seja o partido que mantém — ainda que nunca chegue para ganhar uma eleição — um eleitorado que lhe permite ir à segunda volta. Veremos se assim será. O que significa que o candidato que passar à segunda volta disputará com André Ventura e ganhará a eleição a André Ventura. Ora, qualquer voto deste espaço político que não seja em Marques Mendes é entregar a vitória a António José Seguro, isso para mim é claro.

Falamos do voto útil…

O voto útil é muito mais evidente numa eleição presidencial do que numa eleição legislativa. Ora, por isso digo e tenho apelado a todos aqueles que votam num espaço político entre o centro-esquerda e o centro-direita e que não querem o candidato que, aparentemente, é apoiado até pela ‘geringonça’ — porque o próprio Livre só falta pedir que não votem no candidato deles e que votem em Seguro, como se viu no debate em que todos participaram. É um candidato de uma espécie da geringonça. Ora, quem ocupa este espaço político, o centro-esquerda moderado ou o centro-direita moderado, só tem uma hipótese para ganhar a eleição. Já não é para passar à segunda volta, é para ganhar a eleição.

Convirá que o terreno da direita está mais minado do que o terreno da esquerda, ainda assim?

Tal e qual, mais fragmentado. O terreno da direita está muito mais fragmentado do que o terreno da esquerda, designadamente naquilo que é a representatividade eleitoral. Isso é verdade. E, por isso, torna a eleição mais difícil, mas ninguém escamoteia isso.

Em síntese, dê-me três razões para que o eleitorado do centro-direita se concentre em Marques Mendes.

Três palavras muito simples: confiança, estabilidade e previsibilidade. São três fatores absolutamente essenciais na Presidência da República. Se quiser, junto uma quarta: preparação. Devo-lhe dizer que, a esse nível, não gosto de menosprezar adversários políticos. Não gosto mesmo, porque é um erro e é deselegante. Sério. Uma coisa é o combate político, outra coisa é aquilo que quero dizer agora. Não tenho a mínima dúvida de que o candidato mais preparado, que melhor conhece o país, o território, que mais afinidade tem com as portuguesas e os portugueses, que melhor conhece o regime e o sistema e que melhor se relaciona com todos os partidos políticos, é Luís Marques Mendes.

O país é outro sociologicamente. Há novas gerações que já não se revêm nas formas tradicionais de fazer política?

Mas reveem-se em quem? Em fazer o pino nas paredes? Se se quiser dar isso de barato, então entreguemos o jogo. Não farei isso. Enquanto estiver a exercer funções políticas, lutarei contra o que não acredito ser o melhor para o país e lutarei por aquilo que acredito que seja o melhor para o país. Eu não quero um país onde as eleições se decidem…

Entretanto, não pode estar de costas voltadas para o país?

Tanto que não estou, creio eu, e tanto que não estamos, que a AD tem vindo a reforçar o seu resultado eleitoral. Vamos lá ver se nos entendemos. Uma coisa é saber comunicar. Outra coisa é levar isto para a ligeireza, para a brincadeira, para a irresponsabilidade. Aí não entro. Não concebo que se possa achar que seja nos TikTok, onde se diz tudo sem contraditório, onde se fazem as maiores — vou mesmo usar as palavras — as maiores macacadas para atrair votos, que seja o futuro da política e do mundo. Eu não acredito nisso. E vivemos isso. Está tudo certo, mas eu não aceito isso. E contrariarei isso sempre. É assim.

Por estes dias, e de acordo com a tendência das sondagens…

Deixe-me só fazer-lhe uma pergunta: sei que não é o meu papel, mas de que sondagens é que está a falar que temos? No momento em que estamos a falar, temos uma, a da Pitagórica. Quando sair a entrevista, podemos ter mais duas ou três. Mas acha que vou fazer algum comentário político, com responsabilidade, sem saber o que o resto dos estudos de opinião dizem?

Estamos numa fase de 50-50, ou seja, podem surgir sondagens completamente contraditórias com a tendência da tracking poll, ou podem surgir sondagens que confirmem essa tendência. Por isso, tenho de lhe perguntar: o Presidente do PSD e primeiro-ministro, Luís Montenegro, ainda vai entrar em alguma ação de campanha?

Não vou fazer nenhum comentário sobre isso. Não sei. O que lhe posso dizer é o seguinte: estamos mesmo num 50-50, e como estamos num 50-50, seria ligeiro da minha parte fazer qualquer tipo de consideração sobre os estudos de opinião neste momento. Mas, provavelmente, se calhar logo à noite, ou amanhã, depois de saírem outros estudos de opinião, aquilo que era a sua pergunta pode deixar de fazer sentido. Podemos ter sondagens que nos dão resultados diferentes. Há que haver alguma serenidade. O que quero dizer é que, na rua, na adesão das pessoas, sinto uma grande adesão à candidatura de Luís Marques Mendes. Veremos se isso se transforma em votos ou não.

Não me respondeu se o presidente do PSD, eventualmente, ainda vai participar…

Disse-lhe que não faço ideia.

Muito se comenta da relação ambivalente entre o candidato do PSD e o Governo. O que é que acha deste "nem contigo, nem sem ti"?

Acho que a história demonstrou que os Presidentes da República que saíram da família política do PSD exerceram a função com total independência. Lembro Cavaco Silva ou Marcelo Rebelo de Sousa, e não há ninguém…

Já adivinhou o que lhe vou dizer?

Não sou adivinho, e estou habituado à originalidade dos jornalistas; portanto, não consigo mesmo adivinhar o que vem a seguir. A experiência demonstra que os Presidentes da República que saíram da família política do PSD foram totalmente independentes e imparciais no exercício das funções. A vantagem de Marques Mendes é que ele tem uma história que fala por ele. E, se calhar, olhe, por isso muitos militantes do PSD zangados com alguma… alguns destacados dirigentes do PSD que foram criticados no passado por Marques Mendes, fruto da tal independência, hoje, se calhar, estarão a apoiar outras candidaturas.

Assistiu à entrevista de Luís Marques Mendes com Pedro Santana Lopes no NOW? 

Assisti. Fui também criticado por Luís Marques Mendes várias vezes nos seus comentários ao domingo, mas reconheço-lhe, ainda que possa discordar muitas vezes do que disse, a independência. Ora, Luís Marques Mendes é de facto independente, e é isso que o PSD quer num Presidente da República. Quer um árbitro, mas quer um árbitro que seja pela estabilidade política. E o que me parece, sinceramente, é que os demais candidatos querem ser líderes da oposição a partir de Belém. Ora, Belém não serve para ser um contrapoder ao Governo.

Uma questão que tem a ver com a trilogia de Sá-Carneiro, que esteve algumas vezes quase para ser cumprida: "uma maioria, um Governo e um Presidente". Este Governo não tem maioria, mas teria conforto…

A maioria tem, mas é relativa.

É um Governo minoritário no Parlamento, a quem daria conforto ter, no Palácio de Belém, um ex-líder do PSD?

Não, não tem a ver com conforto. O Governo não precisa de conforto. O Governo precisa de um Presidente da República, e o país precisa de um Presidente da República. Não mudo de convicções naquilo que entendo ser o perfil do Presidente da República, seja o Governo do PSD, da AD ou do PS. Tenho um perfil que entendo ser o melhor para o Presidente da República — perfil que o PSD também entende. Podia dar-se o caso de não ser assim, mas é efetivamente assim. A independência e a necessidade de defendermos a estabilidade política são absolutamente essenciais para um Presidente da República. Não podemos andar de eleições ano após ano, isso tem um custo brutal para o desenvolvimento do País. Ora, o único candidato que olho hoje e que dá segurança de estabilidade por tudo o que tem dito, pelo seu passado na construção  de união e consensos, mesmo quando esteve na política… Vamos dar o exemplo de Seguro, que é do mainstream, dos dois maiores partidos. Recordar-se-á que, em 2013 — e o país precisa de se recordar e ter memória — o Presidente Cavaco Silva, na altura, chamou os dois principais partidos após a demissão do Ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, e quis negociar um pacto de regime. A coisa esteve quase a acontecer. Não aconteceu porque António José Seguro, depois de Mário Soares e Manuel Alegre lhe terem dado um berro e dizerem que não aceitavam pactos com o PSD, roeu a corda à última hora. É esta falta de construção de pontes e consensos, e até de alguma coragem política, que eu creio que António José Seguro tem e que Marques Mendes não tem. Fez isso na justiça, fez isso na legislação autárquica, fez isso na revisão constitucional. Foi ele que negociou a revisão constitucional em nome do PSD com o PS. Esta capacidade de construção de consensos vejo em Marques Mendes e não vejo em mais nenhum dos candidatos.

Curiosamente, sabe que esse episódio custou a Seguro, agora enquanto candidato presidencial, um certo amargo de boca... 

Está a ver, mas não o fez. Mas é essa coragem que um dirigente partidário tem de ter. O caminho que conta, em cada decisão que tomo, é o interesse nacional. Se não for assim, eu já não estou aqui a fazer nada. Não há outra forma de ser líder. Vamos ser claros: se um líder não coloca em primeiro lugar nas suas decisões o interesse nacional, então não está a fazer nada na política. Tudo isto depois tem várias multiplicações que dariam a grande conversa. Tem a ver com a independência relativamente à política, que tem a ver com a forma como cada um se coloca na vida e nas coisas que verdadeiramente importam. O que me disse é uma coisa muito simples: António José Seguro, para não cumprir o desígnio do interesse nacional, vergou-se àquilo que foi a pressão partidária.E Marques Mendes, já agora, deixo-me dizer-lhe, nunca vacilou perante o interesse partidário. Marques Mendes, quando teve de tomar decisões, mesmo contra o aparelho do partido, tomou. Veja bem a diferença entre as duas candidaturas.

Nunca há inocência nas decisões políticas. Entretanto, estou perante um líder da bancada parlamentar do PSD que se recusa a ver outro cenário senão a passagem de Marques Mendes à segunda volta?

Não, está perante um líder parlamentar que diz que não é comentador político, que não cenariza e que não enfabula, e que tem a profunda convicção de que Marques Mendes passa à segunda volta e, portanto, não vai fazer nenhum comentário que possa pôr em causa aquilo que é uma estratégia de vencer as eleições presidenciais.