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O Governo português poderá recorrer a medidas estruturais para aliviar o esforço das empresas e famílias se o conflito no Médio Oriente se arrastar.
“Se houver uma solução rápida para o conflito, conseguimos acomodar o impacto negativo destas semanas e regressar à normalidade. Caso contrário, teremos de adotar medidas concretas para apoiar empresas e famílias”, afirmou alertou esta segunda-feira o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel.
Rangel, que falava em conferência de imprensa em Lisboa, após um encontro com a homóloga islandesa, Porgerdur Katrín Gunnarsdóttir, destacou que o Governo acompanha a situação diariamente, avaliando “as melhores políticas para mitigar os efeitos”, em particular devido ao aumento do preço do petróleo e ao impacto na agricultura e nas cadeias de produção e distribuição, agravado pelo bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irão.
Rangel sublinhou que Portugal está a implementar pacotes de medidas de mitigação para reduzir o impacto imediato da inflação nos preços nas últimas semanas. O objetivo será preservar o crescimento e o investimento, mesmo perante a escalada do conflito.
Rangel recordou que, à semelhança de outros países, Portugal está “a implementar muitos pacotes de medidas de mitigação que tentam aliviar o impacto imediato desta inflação nos preços das últimas duas semanas”.
Negociações com a UE
Porgerdur Katrín Gunnarsdóttir, que se encontra em visita oficial a Lisboa, destacou que a ilha é sustentável em termos energéticos, graças à energia hidroelétrica e a energia geotérmica, mas tem uma economia sensível, “com a moeda mais pequena do mundo”, e está a notar “algum impacto na inflação”.
A governante sublinhou que o Governo islandês “tem criticado muito fortemente o regime iraniano, um regime terrorista que tem prejudicado os seus cidadãos e violado também os seus direitos à vida e os direitos humanos”.
A chefe da diplomacia islandesa detacou ainda a importância do referendo islandês de 29 de agosto sobre a reabertura das negociações para a adesão à União Europeia (UE). Segundo a ministra, o “Sim” inicial será crucial para avaliar o tipo de acordo possível, especialmente nos setores da pesca e agricultura, considerados os mais complexos.
A ministra reforçou que a eventual adesão da Islândia à UE será relevante tanto para famílias e pequenas empresas como para a posição geopolítica da Europa, defendendo que a pertença ao bloco não comprometerá a soberania nacional.
O ministro Paulo Rangel saudou a reabertura das negociações e realçou que Portugal e Islândia, países atlânticos, beneficiariam de reforçar a dimensão atlântica da União Europeia. Rangel reconheceu que as negociações serão complexas, dependendo da vontade de Reiquiavique e de Bruxelas, mas garantiu que o processo não ameaça a independência nacional da Islândia.