terça-feira, 09 jun. 2026

Governo nega venda de imóveis públicos abaixo do mercado e responde às críticas do PS

O Governo garante que é “falso” que tenha vendido imóveis do Estado abaixo do valor de mercado em Lisboa. O Ministério das Finanças responde às críticas do PS e assegura que os edifícios foram alienados acima das avaliações externas
Governo nega venda de imóveis públicos abaixo do mercado e responde às críticas do PS

O Ministério das Finanças contestou este domingo as notícias que davam conta de que o Estado teria vendido imóveis públicos abaixo do preço de mercado em Lisboa, garantindo que os edifícios foram alienados acima dos valores definidos por avaliações independentes.

Em comunicado enviado às redações, o Governo classificou como “falso” que os imóveis do Estado tenham sido vendidos abaixo do valor de mercado, assegurando que os preços finais ultrapassaram “em cerca de 21,9%” o valor-base inicialmente fixado.

A reação surge após o jornal Público noticiar que oito imóveis do Estado em Lisboa, já vendidos ou ainda previstos para leilão, poderiam albergar cerca de 450 habitações públicas.

Segundo o Ministério das Finanças, todos os imóveis integrados na Hasta Pública n.º1/2026 foram alvo de duas avaliações externas realizadas por entidades “autónomas, independentes e idóneas”.

O Executivo explica que o valor-base de alienação foi definido a partir do montante máximo indicado nessas avaliações.

“Esse valor máximo fixado foi inequivocamente superado em todos os imóveis”, refere o comunicado.

O Governo detalha ainda que o imóvel localizado na Avenida Visconde de Valmor, em Lisboa, tinha um valor-base de 13 milhões de euros e acabou vendido por mais de 15,2 milhões.

Já o imóvel da Rua Filipe Folque tinha um valor-base superior a 4,1 milhões de euros e foi alienado por mais de 5,2 milhões.

O Executivo sublinha também que, dos oito imóveis mencionados na notícia, apenas dois foram efetivamente vendidos até ao momento.

Além disso, garante que todo o processo da hasta pública decorreu de forma “escrupulosa, rigorosa e transparente”, cumprindo todas as normas legais e regulamentares.

As explicações do Governo surgem depois de o Partido Socialista ter acusado o Executivo de agir como um “agente imobiliário invertido”.

O vice-presidente da bancada socialista, Luís Testa, criticou o facto de o Estado vender património que poderia ser utilizado para habitação acessível enquanto compra imóveis “muito caros” para o mesmo fim.

Os socialistas anunciaram entretanto que vão pedir no parlamento a audição do ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, e do presidente da Estamo.

O PS considera que o Estado está a desperdiçar oportunidades para aumentar a oferta de habitação pública numa altura de forte pressão imobiliária em Lisboa.

Em paralelo, o partido apresentou recentemente um projeto-lei para impedir a alienação de património público com aptidão habitacional em zonas com carência de habitação ou elevada pressão urbanística.