terça-feira, 16 jun. 2026

Governo lança concurso para garantir distribuição de jornais no interior

O Governo vai avançar com um concurso público internacional de três milhões de euros para assegurar a distribuição diária de jornais em papel nos territórios de baixa densidade. O objetivo é evitar que regiões do interior fiquem sem acesso à informação e combater os chamados “desertos noticiosos”
Governo lança concurso para garantir distribuição de jornais no interior

O Governo lança terça-feira um concurso público internacional no valor de três milhões de euros para garantir a distribuição diária de jornais em papel nos territórios de baixa densidade durante os próximos três anos.

O anúncio foi feito pelo ministro da Presidência, que defendeu a importância de assegurar o acesso à informação em todo o território nacional, independentemente da localização geográfica dos cidadãos.

“Ninguém pode ficar privado de jornais. É uma atividade que está em transformação, mas continuar a haver imprensa livre, acessível por todos os cidadãos, em todo o território, é uma prioridade para o Governo”, afirmou António Leitão Amaro.

A medida integra o Plano de Ação para a Comunicação Social e surge numa altura em que a redução da população em muitas zonas do interior e a quebra das vendas em banca têm colocado pressão sobre a sustentabilidade económica da distribuição de imprensa.

Segundo António Leitão Amaro, o objetivo passa por apoiar financeiramente as rotas de distribuição onde os custos são mais elevados e a atividade se tornou pouco rentável.

“No fundo, dar um apoio para financiar a distribuição nos sítios onde ela é mais cara por cada jornal que se vende nos territórios de muito baixa densidade”, explicou, citado pela agência Lusa.

Concurso dividido em dois lotes

O concurso terá uma dotação anual de um milhão de euros e será dividido em dois lotes geográficos: um destinado às regiões Norte e Centro e outro que abrangerá Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve.

De acordo com o ministro, o modelo prevê uma obrigação de serviço público por parte do operador vencedor.

“O apoio é desenhado para financiar as rotas para os 96 municípios onde ela seria menos rentável e seria mesmo não lucrativa. Há uma assunção de uma obrigação de serviço público a quem ficar e o Estado paga por esse serviço público”, afirmou.

O concurso estará aberto a todos os operadores de distribuição que pretendam concorrer, sendo selecionada a proposta considerada mais adequada em termos de estabilidade e cobertura territorial.

O governante destacou que a medida responde também a reivindicações de autarcas de várias regiões do país preocupados com a perda de acesso à imprensa escrita.

“Não pode haver nenhum território que fique em deserto noticioso e às escuras de informação livre”, sublinhou.

A apresentação de propostas decorrerá durante 60 dias, estimando o Governo que o processo fique concluído durante o verão.

Segundo António Leitão Amaro, o lançamento do concurso sofreu alguns atrasos devido à necessidade de recolher informação detalhada junto do operador atualmente responsável pela distribuição, situação que acabou por ser ultrapassada.

Comunicação social enfrenta transformação profunda

O ministro reconheceu ainda que a comunicação social atravessa uma fase de forte transformação, marcada pela concorrência das grandes plataformas digitais e pelas dificuldades crescentes na geração de receitas.

“A comunicação social vive um período de transformação, que envolve uma dificuldade maior para sustentar o seu modelo de negócio, mas ela é imprescindível à democracia”, afirmou.

Além do financiamento da distribuição, o modelo de apoio do Governo prevê um segundo eixo de intervenção: o apoio ao funcionamento de pontos de venda em territórios de baixa densidade.

Para esse efeito, está a ser discutido um acordo entre a Portugal MediaLab e a Associação Nacional de Municípios Portugueses.

O valor do apoio financeiro foi calculado tendo em conta os custos da atividade, as especificidades territoriais e a evolução de despesas operacionais, incluindo combustíveis e salários.

Com esta iniciativa, o Governo pretende assegurar que o acesso à informação continua disponível em todo o país, reforçando o papel da imprensa como elemento essencial para a participação cívica e o funcionamento da democracia.