quarta-feira, 15 abr. 2026

Governo aprova nova lei de retorno com mais detenções e expulsões mais rápidas de imigrantes ilegais

O Conselho de Ministros aprovou uma nova legislação que endurece as regras de expulsão de estrangeiros em situação ilegal, incluindo aumento do prazo de detenção e eliminação da notificação de abandono voluntário, com vista a acelerar os processos de expulsão em Portugal.
Governo aprova nova lei de retorno com mais detenções e expulsões mais rápidas de imigrantes ilegais

O Conselho de Ministros aprovou esta quinta-feira a proposta da nova lei de retorno de estrangeiros, que prevê o endurecimento das regras para cidadãos em situação ilegal em Portugal, com destaque para o alargamento dos prazos de detenção e a eliminação da notificação para abandono voluntário.

A proposta segue agora para discussão na Assembleia da República.

Detenção pode ir até 18 meses

Entre as principais alterações está o aumento dos prazos de detenção em centros de instalação temporária (CIT). O limite passa dos atuais 60 dias para um máximo de 360 dias para decisão de afastamento, podendo ainda acrescer um período adicional de até 180 dias para garantir a execução da expulsão.

Na prática, a detenção pode atingir um total de 18 meses.

Além disso, o Governo introduz novas medidas de coação alternativas à detenção, como:

  • Depósito de caução ou garantia financeira

  • Entrega obrigatória de documentos de viagem

  • Permanência em regime aberto em centros de instalação

Fim da notificação para abandono voluntário

Outra mudança significativa é o fim da notificação para abandono voluntário. Até agora, este procedimento era obrigatório antes de qualquer afastamento coercivo.

Com a nova proposta, deixa de haver essa notificação formal, passando a existir um dever de abandono por parte do cidadão estrangeiro em situação irregular.

Ainda assim, o Executivo pretende incentivar programas de retorno voluntário, considerados menos onerosos para o Estado.

Interdição de entrada até cinco anos

A proposta prevê também o aumento do prazo de interdição de entrada em Portugal para estrangeiros expulsos, passando para cinco anos, podendo ser agravado em determinadas situações.

O diploma inclui ainda medidas para:

  • Reduzir a possibilidade de recursos judiciais

  • Evitar o uso abusivo de pedidos de asilo para atrasar expulsões

  • Rever critérios que dificultam o afastamento coercivo

Governo quer acelerar expulsões

O ministro da Presidência, António Leitão Amaro, defendeu que esta é uma “reforma muito importante” para garantir um sistema mais eficaz.

“Quem prefere a ilegalidade ou ser colocado nas mãos de redes de imigração ilegal tem de enfrentar consequências, e isso significa um afastamento muito mais rápido”, afirmou, citado pela agência Lusa.

O governante sublinhou ainda que Portugal apresenta uma das taxas de retorno mais baixas da Europa, inferior a 5%, considerando que a legislação atual não permitia executar eficazmente as decisões de expulsão.

Regras específicas para famílias com menores

O Governo esclareceu ainda que, no caso de estrangeiros com filhos menores em situação legal, a expulsão dos pais só poderá ocorrer em situações mais graves, como condenações por crimes ou ameaça à segurança pública.

Nesses casos, os menores acompanham os pais no processo de afastamento.

Execução caberá à PSP

A aplicação da futura lei ficará a cargo da Unidade Nacional de Estrangeiros e Fronteiras da Polícia de Segurança Pública (PSP).

O diploma resulta de um processo de consulta pública que reuniu mais de uma centena de contributos e visa, segundo o Governo, tornar “mais rápido e eficaz” o afastamento de cidadãos estrangeiros em situação irregular.