terça-feira, 21 jul. 2026

Ex-ministra da Administração Interna justifica a demissão: "Não dispunha de autoridade"

Maria Lúcia Amaral, falava em entrevista ao podcast da RTP Antena 1 "Ponto de Interrogação".
Ex-ministra da Administração Interna justifica a demissão: "Não dispunha de autoridade"

A ex-ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral, que se demitiu do cargo no passado dia 10 de fevereiro, justificou esta segunda-feira a sua demissão.

Em entrevista ao podcast da RTP Antena 1 "Ponto de Interrogação", a ex-ministra reconheceu a sua "perda de autoridade". "Eu tinha advertido, logo de início, que não continuaria se entendesse que não dispunha mais de autoridade. Foi o caso", sublinha.

Maria Lúcia Amaral acrescenta que não tinha nem condições pessoas nem políticas para se manter no governo, tomando a decisão de se retirar. "A partir do momento em que sentisse que não dispunha de autoridade para concretizar o que pensava dever ser concretizado eu não continuaria", recorda aquilo que disse ao primeiro-ministro, Luís Montenegro.

A ex-governante refere os grandes incêndios em Portugal no verão de 2025 e a tempestade que abalou o país logo no início do ano como dois acontecimentos que "lhe escaparam".

"Foram dois acontecimentos que me escaparam, digamos assim, na dimensão total do termo, pela sua contingência, pela sua imprevisibilidade, pela sua dimensão", reconheceu.

"Outra coisa é ter a capacidade para reagir imediatamente ao contingente, ao imprevisível, ao não pensável. Eu assumi o cargo tendo em linha de conta o percurso que eu pensei - e que quem me convidou pensava - que me habilitava para a primeira dimensão de fazer política, quando aconteceu o que aconteceu", quer no verão, quer no inverno, disse, referindo-se ao necessário para se ser político.

Maria Lúcia Amaral considera que não tinha meios, seja ao nível dos "conhecimentos técnicos, domínio do terreno, ao conhecimento exato das pessoas, das corporações, até à sua ínfima particularidade, que estão no terreno, para reagir imediatamente com a velocidade que se requeria ao contingente, ao imprevisível".

"A ponderação que eu fiz - e que foi aceite pelo senhor primeiro-ministro - é que era muito pior para o país e para o Governo continuar um ministro da Administração Interna, num contexto daqueles, sem autoridade nenhuma, do que não estar", recorda a antecessora de Luís Neves.

Ainda assim, a antiga governante garante não se arrepender de ter feito parte do executivo, sublinhando que está ainda a alguns meses de terminar o segundo e último mandato como Provedora de Justiça.

Recorde-se que Maria Lúcia Amaral apresentou a sua demissão no passado dia 10 de fevereiro, cerca de oito meses após ter assumido o cargo de ministra da Administração Interna. Na altura, a onda de críticas pairava sobre a forma como atuou e geriu a resposta à depressão Kristin.