Relacionados
O líder do partido Chega e candidato presidencial, André Ventura, garantiu esta quarta-feira que não tem conhecimento de ligações entre o partido e militantes associados ao grupo de extrema-direita 1143, assegurando que afastou “quem tinha de afastar”.
Questionado sobre a presença de militantes do Chega identificados pelas autoridades como pertencentes ao grupo 1143, Ventura afirmou desconhecer se essas pessoas continuam sequer ligadas ao partido. “Nem sei se estes elementos ainda são do Chega”, afirmou, durante a participação na "Grande Entrevista", na RTP1. A questão surge depois de, pelo menos três militantes do partido estarem na lista de detidos da Operação Irmandade da PJ para desmantelar o grupo 1143, indiciados por crimes de discriminação e incitamento ao ódio e à violência contra estrangeiros. Todos os militantes detidos já concorreram em algum momento a eleições pelo Chega.
O candidato sublinhou ainda que rejeita qualquer forma de violência, defendendo que a sua posição política passa por um controlo rigoroso das fronteiras, mas dentro da legalidade. “Eu sou intolerável à violência”, sublinhou.
Durante a entrevista, Ventura aproveitou também para atacar o antigo presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, acusando-o de ter “feito coisas muito piores”, sem detalhar.
O líder do Chega dirigiu igualmente críticas a dirigentes do CDS, que anunciaram apoio ao candidato socialista António José Seguro na segunda volta das eleições presidenciais. Para Ventura, essas tomadas de posição não passam de uma reação ao crescimento do Chega. “Isto é puro ódio contra mim, é medo que o sistema mude”, afirmou.
As declarações surgem numa fase decisiva da campanha presidencial, marcada por trocas de acusações e pela tentativa dos candidatos de consolidarem apoios para a segunda volta, que será disputada no próximo dia 8 de fevereiro, pela segunda vez na história de Portugal, entre António José Seguro e André Ventura.