quinta-feira, 11 jun. 2026

Emails desmentem versão do MAI sobre pedido de demissão de António Pombeiro

Troca de mensagens revela que o secretário-geral adjunto já associava saída a alegadas irregularidades na SIRESP antes da nomeação de Paulo Viegas Nunes
Emails desmentem versão do MAI sobre pedido de demissão de António Pombeiro

A versão apresentada pelo Ministério da Administração Interna sobre o primeiro pedido de demissão de António Pombeiro está a ser contrariada por uma troca de emails entre o secretário-geral adjunto demissionário e elementos do gabinete ministerial.

Na segunda-feira, o gabinete do ministro da Administração Interna, Luís Neves, garantiu que António Pombeiro tinha solicitado pela primeira vez a exoneração a 28 de abril, numa fase anterior à escolha do major-general Paulo Viegas Nunes para o conselho de administração da SIRESP S.A., alegando nessa altura motivos distintos dos agora invocados.

Contudo, mensagens de correio eletrónico a que a agência Lusa teve acesso contradizem essa explicação oficial e indicam que António Pombeiro já relacionava a intenção de abandonar funções com alegadas irregularidades ligadas à gestão da SIRESP e ao processo envolvendo Viegas Nunes.

O caso surge numa altura de crescente pressão política sobre o Ministério da Administração Interna, depois da demissão do secretário-geral adjunto ter levantado dúvidas sobre o funcionamento interno da tutela e sobre os critérios seguidos na nomeação para a empresa responsável pelo sistema de comunicações de emergência e segurança do Estado.

A polémica ganhou nova dimensão depois de o MAI ter procurado afastar qualquer ligação entre o pedido inicial de exoneração e a escolha de Paulo Viegas Nunes. Os emails conhecidos nas últimas horas colocam agora em causa essa narrativa.

António Pombeiro apresentou a demissão na sequência da nomeação de Viegas Nunes para a administração da SIRESP, decisão que terá motivado divergências internas relacionadas com a gestão e supervisão da empresa.

Até ao momento, o Ministério da Administração Interna não comentou o teor dos emails divulgados.