sexta-feira, 10 jul. 2026

"Ele no fundo gosta deles". Carlos César acusa Montenegro de ter "síndrome de Estocolmo" com o Chega

Presidente do PS diz que primeiro-ministro foi "maltratado e enganado sucessivamente" pelo partido de André Ventura, mas acredita que PSD acabará por voltar a aproximar-se do Chega.
"Ele no fundo gosta deles". Carlos César acusa Montenegro de ter "síndrome de Estocolmo" com o Chega

O presidente do PS, Carlos César, acusou este domingo Luís Montenegro de manter uma relação de dependência política com o Chega, afirmando que o primeiro-ministro revela estar "tocado pela Síndrome de Estocolmo" em relação ao partido liderado por André Ventura.

Numa intervenção na Comissão Nacional do PS, que decorre em Lisboa, o dirigente socialista considerou que o entendimento recente entre PSD e PS no caso da Polícia de Segurança Pública (PSP) não representa uma mudança estrutural na política nacional.

"A circunstância de o PSD ter recorrido ao PS no caso da PSU não traduz uma mudança substancial na política portuguesa e na orientação do Governo da República", afirmou Carlos César.

"Ele no fundo gosta deles, ele no fundo voltará para eles"

Para o presidente socialista, o Governo PSD/CDS-PP esteve "nos últimos tempos sob sequestro do Chega", apesar de o partido de André Ventura ter, segundo Carlos César, mantido uma relação de confronto com o executivo.

O dirigente do PS afirmou que Montenegro foi "maltratado e enganado sucessivamente pelo Chega" e defendeu que, ainda assim, o primeiro-ministro continua próximo daquele partido.

"Ele no fundo gosta deles, ele no fundo voltará para eles", afirmou Carlos César.

O socialista justificou a sua análise dizendo que "a alternativa ao extremismo não são os menos extremistas, mas sim os não extremistas".

"Isso reduz a alternativa ao Governo em funções ao Partido Socialista", defendeu.

PS apresenta-se como alternativa ao Governo

Na Comissão Nacional do partido, Carlos César procurou reforçar a posição do PS como força alternativa ao atual executivo.

"Demonstramos por isso que somos, sobretudo, a favor do bom governo e isso tem um significado na forma como estruturamos a nossa conduta e a nossa relação com o Governo da República", afirmou.

O presidente do PS referiu ainda que as intervenções feitas durante a reunião revelam "o espírito e o sentido com que o Partido Socialista hoje está na sociedade portuguesa".

No final da intervenção, Carlos César anunciou os resultados das votações das moções setoriais que tinham vindo do Congresso socialista e que foram admitidas para apreciação. Todas acabaram aprovadas pelos dirigentes do partido.