segunda-feira, 09 fev. 2026

Eanes tece elogio a Marcelo

Quando deixou Belém, prometeu não falar sobre os seus sucessores, mas abriu uma exceção para o Presidente ainda em exercício.
Eanes tece elogio a Marcelo

O antigo Presidente da República António Ramalho Eanes abriu uma exceção no dever de reserva sobre a atuação dos seus sucessores, que se autoimpôs quando saiu de Belém em 1986, para fazer um elogio a Marcelo Rebelo de Sousa pela forma como exerceu o cargo nos últimos 10 anos.

Ramalho Eanes fê-lo num breve discurso de agradecimento durante a inauguração de uma exposição (No Caminho da Democracia) em sua homenagem - e evocativa do cinquentenário das primeiras eleições presidenciais após o 25 de Abril, que ganhou, em 1976 - no Museu da Presidência da República, em Belém.

O general que nunca aceitou receber o bastão do marechalato agradeceu a Marcelo «todas as gentilezas» com que o distinguiu «durante os seus dois mandatos presidenciais, de que esta exposição é bem demonstrativa».

Depois de um agradecimento também à diretora do Museu da Presidência, Maria Antónia Pinto de Matos, e «a todas as pessoas que colaboraram na realização desta exposição», Eanes lembrou oque entendeu ser seu «dever, ao deixar a função presidencial, não comentar qualquer actuação das pessoas que exerceram o cargo de Presidente da República».

«No entanto, entendo ser minha obrigação, também por gratidão pela generosidade que o Sr. Presidente da República me tem dispensado, dirigir-lhe uma palavra especial, de muito apreço e consideração», disse o antigo chefe de Estado.

Eanes felicitou Marcelo «pela forma como prestigiou - e continuará a prestigiar -, externamente, o Estado português, de que foi, aliás, exemplo importante a sua recente intervenção por ocasião da celebração dos 40 anos de adesão de Portugal à CEE».

«E aproveito, também, para o felicitar, Sr. Presidente, pela forma como prestigiou - e continuará a prestigiar -, internamente, o nosso País, procurando, e conseguindo, grande proximidade com o povo português», disse.

Ramalho Eanes lembrou os «tempos difíceis» que marcaram os dois mandatos de Marcelo Rebelo de Sousa, dois incêndios «nos quais pereceram muitos portugueses», a pandemia, a instabilidade governativa, a alteração do quadro geopolítico internacional «entre outros», para sublinhar: «E, em todos os momentos, os portugueses souberam que podiam contar com o Sr. Presidente e que tinham no Presidente da República um português igual a todos nós que, no âmbito das suas funções, procurou, sempre, responder com um sentido de humanidade e humanismo».

E concluiu com um breve «Obrigado, Senhor Presidente!».