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O candidato presidencial André Ventura criticou esta quarta-feira a atuação das autoridades políticas e da proteção civil durante o recente período de mau tempo, considerando que o país tem demonstrado falhas na resposta às situações de emergência, referindo-se principalmente aos danos causados pela depressão Kristin.
Em declarações aos jornalistas, à entrada do Comando Territorial da GNR de Beja, o líder do Chega afirmou que “há momentos em que parece que este país não tem rei nem roque” e classificou a situação como uma “verdadeira república das bananas”, defendendo a necessidade de maior organização e liderança.
O candidato apontou críticas à deslocação do Presidente da República ao estrangeiro num momento em que várias regiões enfrentavam dificuldades, bem como à ausência do comandante nacional da Proteção Civil, Mário Silvestre, que se encontrava em Bruxelas durante a passagem da tempestade Joseph e antes da chegada da depressão Kristin. Entretanto, Mário Silvestre já explicou que a deslocação a Bruxelas - entre os dias 26 e 28 de janeiro - ocorreu no âmbito das suas funções institucionais e garantiu que a Proteção Civil manteve sempre o acompanhamento da situação meteorológica. Justificou ainda que, numa reunião que antecedeu a sua deslocação, "nada fazia prever" a vaga de destruição que ocorreu em Portugal. No entanto, garante que "nada ficou por fazer" pela sua ausência.
Ventura responsabilizou ainda o presidente da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, José Manuel Moura, por não ter recorrido ao Mecanismo Europeu de Proteção Civil, apesar dos apelos de vários autarcas. Segundo o dirigente, enquanto a ANEPC considerava desnecessário acionar o apoio europeu, responsáveis locais afirmavam não dispor de meios suficientes para responder às necessidades da população.
“O presidente da ANEPC, José Manuel Moura, a dizer que nós não precisamos nada de acionar o Mecanismo Europeu de Proteção [Civil], mas os autarcas a dizer que temos [que acionar]”, afirmou, acrescentando: “Isto parece uma república das bananas, às vezes”.
Na sua intervenção, André Ventura defendeu que os candidatos presidenciais e os responsáveis políticos devem estar próximos das forças de segurança, dos bombeiros e dos serviços de proteção civil em momentos de crise. Para o líder do Chega, a prioridade deve ser garantir o abastecimento, o apoio às populações e o funcionamento das estruturas de emergência.
“Nós temos que nos focar no que as pessoas precisam”, sublinhou, acrescentando que “temos que ter um Estado em prontidão”.
Questionado sobre a necessidade de os políticos estarem no terreno, apesar das recomendações para evitar deslocações devido ao mau tempo, Ventura reiterou que os responsáveis públicos devem dar o exemplo. “Os cidadãos que puderem, fiquem em casa. Os políticos têm que dar a cara neste momento”, afirmou.
O candidato abordou ainda relatos de furtos e assaltos nas zonas mais afetadas pelas intempéries, defendendo uma atuação rigorosa das autoridades. Segundo afirmou, espera que as forças policiais e o sistema judicial sejam “muito, muito firmes” perante comportamentos que prejudiquem as populações num contexto de emergência.
As declarações foram feitas sob chuva intensa, durante uma visita ao distrito de Beja, que decorreu sem acompanhamento direto da comunicação social, de acordo com a Agência Lusa.