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A Comissão Política Nacional do Partido Socialista não conta com Duarte Cordeiro, por vontade própria, mas, e por vontade do líder, inclui os nomes de Fernando Medina, Alexandra Leitão e Mariana Vieira da Silva, Augusto Santos Silva, Ana Catarina Mendes, Álvaro Beleza ou Sérgio Sousa Pinto.
É outro líder, com o mesmo PS e com o reforço das estruturas autárquicas do partido. Não por acaso, surge em número um da Comissão Política Nacional (CPN), um dos órgãos mais relevantes do partido, Teresa Almeida, arquiteta e presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) de Lisboa e Vale do Tejo, reeleita para novo mandato em janeiro deste ano. Contas feitas, mais de 30 nomes correspondem a uma renovação; menos de 30 nomes representam a continuidade.
Quanto ao Secretariado Nacional, o órgão mais executivo do partido, entram a vereadora eleita pelo PS em Sintra, Ana Mendes Godinho; Inês de Medeiros, presidente da Câmara Municipal de Almada, também faz parte; e, no que respeita aos autarcas, há ainda Luísa Salgueiro, presidente da Câmara Municipal de Matosinhos, e João Azevedo, com a mesma tarefa em Viseu. Do Secretariado deixam de fazer parte Ana Catarina Mendes, Francisco Assis, Pedro Costa e Sérgio Sousa Pinto. André Moz Caldas, que preside à Mesa da Assembleia Municipal de Lisboa, é outro dos nomes do Secretariado Nacional, figura cada vez mais próxima de Carneiro, ele que cresceu politicamente no costismo.
Os novos órgãos eleitos durante a Comissão Nacional dos socialistas, realizada neste domingo, 19 de abril — dia em que se assinalam os 53 anos da fundação do Partido Socialista, em Bad Münstereifel, na então Alemanha Ocidental, em 1973, ainda na clandestinidade —, o que o atual líder sublinhou no seu discurso inaugural, e quando o PS volta a liderar quanto à intenção de voto dos portugueses, o partido “entra numa nova era” que não é substantivamente diferente da anterior, para além das evidentes características diferenciadoras do novo líder e de uma aposta no esteio que ainda segura o PS: o terreno autárquico, apostando no que os socialistas ainda detêm de poder executivo.
Os socialistas, encurralados pela direita radical, fazem o que podem no parlamento, sem poderem contar de forma séria com o PSD liderado por Luís Montenegro. E queixam-se disso: queixam-se da AD, com quem os portugueses se sentem desiludidos, e avisam que o Governo não pode contar com os socialistas para viabilizarem aquilo que Carneiro chamou de “contrarreforma laboral”, lembrando que não há qualquer pressão sobre a UGT, nunca por parte dos socialistas que, desde sempre, respeitaram o movimento sindical. O líder socialista lembrou também, neste aspecto, o PREC, numa nostalgia socialista. Mas, no que tem a ver com nostalgias, a intervenção do secretário-geral do PS não ficou por aqui, e falou no saudosismo autoritário que ameaça a democracia. Mas vamos por partes.
O chamado “pacote laboral”, que se arrasta há meses — o Governo apresentou a intenção de rever a legislação laboral (anteprojeto da reforma) em junho de 2025 —, Carneiro fez questão de deixar claro, neste domingo, que o Governo não conta com o PS para a “ofensa à dignidade” dos trabalhadores e considera que as alterações à legislação propostas pelo Governo da AD são mesmo uma “contrarreforma das leis laborais”.
“O Governo que não cumpriu, nem cumpre, e mostra incapacidade para responder aos temas que preocupam as condições de vida das pessoas, veio concentrar-se em quê? Num tema que não inscreveu no programa eleitoral e que, em relação ao qual, guardou um silêncio sepulcral durante toda a campanha eleitoral. Ou seja, a reforma das leis laborais. Melhor dizendo, a contrarreforma das leis laborais”, disse o secretário-geral dos socialistas no discurso de abertura da Comissão Nacional. “E, portanto, connosco não podem contar para esta ofensa que está a ser feita à dignidade das trabalhadoras e dos trabalhadores no nosso país”, disse Carneiro.
Quem parece contar mais com o PS são os portugueses, numa altura em que as sondagens indicam que as intenções de voto no partido estão a subir. O PS lidera mesmo, à frente da AD e do Chega. Sobre isso, Carneiro disse: “Sabemos bem que é mais importante estarmos a subir nas sondagens do que estarmos a descer”, mas recusa-se a viver com a “inquietação das sondagens”.
Mais importante é o aumento do custo de vida. “Porque quem diz que o país está melhor esquece as dificuldades de quem não consegue enfrentar o aumento do custo de vida, de quem desconhece a vida das pessoas”, disse Carneiro, dirigindo-se, sem grande subtileza, ao primeiro-ministro.