terça-feira, 09 jun. 2026

Desinformação nas presidenciais gerou 12,8 milhões de visualizações

Um relatório da Universidade da Beira Interior e da ERC conclui que André Ventura concentrou 88,5% dos casos identificados
Desinformação nas presidenciais gerou 12,8 milhões de visualizações

A desinformação associada às eleições presidenciais de 2026 gerou mais de 12,8 milhões de visualizações nas redes sociais e teve como principal protagonista André Ventura. A conclusão é de um relatório divulgado esta sexta-feira pelo LabCom - Laboratório de Comunicação da Universidade da Beira Interior em parceria com a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC).

O relatório, intitulado “Desinformação nas Presidenciais 2026: atividade dos candidatos nas redes sociais”, monitorizou conteúdos publicados desde 17 de novembro de 2025, data do primeiro frente-a-frente televisivo entre André Ventura e António José Seguro.

Segundo os investigadores, os conteúdos desinformativos identificados atingiram 12.826.973 visualizações nas plataformas digitais, gerando ainda 588.739 interações, mais de 105 mil comentários e quase 43 mil partilhas.

O estudo estima que mais de nove milhões de contas nas redes sociais possam ter sido expostas a conteúdos desinformativos durante a campanha eleitoral.

Ao todo, foram identificados 26 casos de desinformação relacionados com os candidatos presidenciais.

Destes, 23 foram atribuídos a André Ventura, representando 88,5% do total.

Os restantes casos envolveram Joana Amaral Dias, com dois episódios, e André Pestana, com um caso.

Segundo o relatório, oito das situações identificadas levaram à abertura de processos de averiguação pela ERC.

O vídeo foi o formato mais utilizado na disseminação de conteúdos desinformativos, estando presente em 53,8% dos casos, enquanto as imagens fotográficas representaram 46,2%.

A maioria dos conteúdos analisados apresentava um potencial desinformativo considerado médio, sobretudo através da descontextualização de factos ou manipulação de dados, dificultando a verificação por parte dos utilizadores.

Os casos classificados como altamente desinformativos representaram apenas 3,8% da amostra e correspondiam a conteúdos completamente fabricados, produzidos com recurso a ferramentas tecnológicas avançadas.

O relatório conclui ainda que 27% dos episódios de desinformação tinham como objetivo desacreditar órgãos de comunicação social.

As falsas sondagens ou inquéritos divulgados por entidades não registadas na ERC representaram 23,1% dos casos, enquanto os conteúdos informativos manipulados corresponderam a 15,4%.

Sete dos 26 casos identificados envolveram recurso a Inteligência Artificial.

Segundo os investigadores, esta tecnologia foi utilizada sobretudo para criar imagens e vídeos hiper-realistas de adversários políticos em contextos fabricados ou para simular tendências de voto.

A publicação desinformativa com maior alcance foi atribuída a André Ventura e somou cerca de 2,3 milhões de visualizações.

Divulgada em janeiro, a publicação apresentava um suposto inquérito online atribuído ao site Diário Bix, indicando uma intenção de voto de 63,16% para Ventura contra 36,84% para António José Seguro.

O relatório refere, contudo, que a alegada sondagem não correspondia a um estudo oficial e tinha sido realizada por uma entidade não credenciada junto da ERC.

No total, o LabCom analisou 8.047 mensagens publicadas durante a campanha.

As plataformas do grupo Meta concentraram a maior parte da atividade, com o Facebook a representar 29,4% das publicações e o Instagram 28,6%.

Seguiram-se o TikTok, que registou forte crescimento face a anteriores ciclos eleitorais, o X, o Threads e o YouTube.

Nas eleições presidenciais de 2026, António José Seguro foi eleito Presidente da República com cerca de 67% dos votos, enquanto André Ventura obteve aproximadamente 33%.