terça-feira, 10 fev. 2026

Crise no SNS e Venezuela dominam debate quinzenal: Montenegro enfrenta pressão no Parlamento

Primeiro-ministro abre debate em plena campanha presidencial, com a morte no Seixal a expor fragilidades do SNS e a intervenção dos EUA na Venezuela a marcar a agenda política e diplomática.
Crise no SNS e Venezuela dominam debate quinzenal: Montenegro enfrenta pressão no Parlamento

Luís Montenegro abre esta quinta-feira o debate quinzenal no Parlamento num momento politicamente sensível, marcado pela campanha para as eleições presidenciais de 18 de janeiro e por duas polémicas que prometem dominar a discussão: a crise no Serviço Nacional de Saúde e a situação na Venezuela após a intervenção militar dos Estados Unidos.

O primeiro-ministro dispõe de dez minutos para a intervenção inicial, seguindo-se o habitual período de perguntas e respostas com todos os partidos com assento parlamentar, do Chega ao PSD. Este será um dos últimos debates em plenário antes da suspensão dos trabalhos parlamentares na última semana da campanha presidencial.

A sessão acontece na véspera de uma reunião do Conselho de Estado, convocada por Marcelo Rebelo de Sousa, inicialmente dedicada à situação na Ucrânia após a recente visita de Montenegro a Kiev, mas entretanto alargada à análise do contexto venezuelano.

No plano interno, a morte de um homem no Seixal, depois de quase três horas à espera de socorro do INEM, gerou críticas transversais à atuação do Governo e à gestão do SNS pelo executivo PSD/CDS-PP. O caso deverá ser um dos principais focos de ataque da oposição, que acusa o Governo de falhas graves na resposta da emergência médica.

No plano externo, o debate decorre poucos dias após o ataque dos Estados Unidos à Venezuela, que resultou na captura do Presidente Nicolás Maduro. Montenegro reuniu-se por videoconferência com o Presidente da República e com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, sublinhando a prioridade à proteção da comunidade portuguesa e defendendo uma transição democrática no país sul-americano.

O Governo português evitou críticas diretas à intervenção norte-americana. Paulo Rangel destacou a necessidade de estabilidade, respeito pelo direito internacional e regresso à normalidade democrática, colocando o foco na segurança da numerosa comunidade portuguesa e lusodescendente na Venezuela, estimada em cerca de meio milhão de pessoas.

Entre a pressão interna sobre o SNS e as tensões internacionais, o debate quinzenal promete ser um dos momentos políticos mais exigentes para Luís Montenegro desde o início da legislatura.