O porta-voz do Livre, Jorge Pinto, defendeu esta terça-feira que Portugal deve abandonar a organização conjunta do Mundial de Futebol de 2030 com Marrocos, na sequência da recente vaga migratória registada em Ceuta.
Numa publicação na rede social Bluesky, o dirigente do partido afirmou que os acontecimentos dos últimos dias exigem uma posição firme por parte do Estado português.
“Perante o que tem acontecido, exige-se uma decisão corajosa: Portugal não pode compactuar com a organização conjunta do Mundial 2030 com Marrocos. Da parte do Livre, tudo faremos para que não fiquemos tristemente associados à organização com um país que mostrou não ter capacidade nem dar confiança", escreveu Jorge Pinto, citado pela Lusa.
Declarações surgem após crise migratória
A posição do Livre surge depois da entrada massiva de migrantes marroquinos na cidade autónoma espanhola de Ceuta, que levou milhares de pessoas a tentar alcançar território espanhol em poucos dias.
Segundo as autoridades espanholas, a maioria dos migrantes regressou entretanto a Marrocos, enquanto os governos de Espanha e Marrocos continuam a acompanhar a evolução da situação na fronteira.
Desde quinta-feira morreram pelo menos 71 pessoas a tentar chegar a Ceuta a nado.
Mundial mantém-se previsto para 2030
O Campeonato do Mundo de Futebol de 2030 está oficialmente atribuído a Portugal, Espanha e Marrocos, numa candidatura conjunta ratificada pela FIFA. Além destes três países, Argentina, Paraguai e Uruguai receberão jogos inaugurais para assinalar o centenário da competição. O evento deverá decorrer entre 8 de junho e 21 de julho de 2030.
Até ao momento, o Governo português não reagiu às declarações de Jorge Pinto nem deu qualquer indicação de que pretenda reavaliar o compromisso assumido com a organização do torneio.
Proposta não tem efeitos vinculativos
A posição do Livre representa uma tomada de posição política e não altera, por si só, a participação portuguesa na organização da competição.
Qualquer eventual alteração ao compromisso assumido por Portugal dependeria de uma decisão do Governo e das entidades envolvidas na candidatura conjunta, que continua a preparar a realização do Mundial de 2030.