quinta-feira, 11 jun. 2026

Congresso do CDS envolto em polémica com delegados da JP

Estalou o verniz. A comissão organizadora do congresso trava delegados dos jovens centristas. Presidente da mesa defende a JP.
Congresso do CDS envolto em polémica com delegados da JP

O CDS vai estar reunido em congresso já este fim de semana, em Alcobaça, para eleger os novos órgãos sociais do partido. Nuno Melo recandidata-se à liderança dos centristas e deverá ser reconduzido, já que o seu concorrente, Nuno Correia da Silva – que propõe uma rutura com o atual rumo do partido – tem poucos seguidores. Mas esta reunião magna centrista está longe de ser pacífica. O SOL sabe que entrou uma impugnação contra a eleição dos 86 delegados da Juventude Popular (JP) que ocorreu na passada quinta-feira, a apontar várias irregularidades à forma como decorreu a escolha dos nomes. Ao nosso jornal, a líder da juventude centrista, Catarina Marinho, disse apenas que «o processo está, neste momento nos órgãos superiores da Juventude Popular».

Ao que o nosso jornal apurou, esta situação poderia ser contornada pela proposta que a secretaria-geral fez à  JP para aumentar a quota que está prevista nos regulamentos e que passaria por aumentar mais 20 lugares a atribuir à lista derrotada para a liderança da Juventude Popular. Mas, sabe também o SOL, essa proposta foi rejeitada, sendo que a impugnação não tem efeito suspensivo, ou seja, mesmo que a impugnação seja apresentada e esteja em vigor, que é o caso, os delegados poderão participar nos trabalhos. É certo que a comissão organizadora do congresso – que é liderada pelo secretário-geral, Pedro Morais Soares – pode não aceitar os delegados da JP e tem poder para isso.

No entanto, ao que o nosso jornal apurou, se isso acontecer trata-se de uma decisão política do partido, uma vez que esta situação não está prevista estatutariamente.

Ao que tudo indica, a comissão organizadora quererá travar a entrada dos delegados da Juventude Portugal, ao contrário do que defende o presidente da mesa do congresso, José Manuel Rodrigues.

Apesar destas incertezas, o líder recandidato, na sua moção, intitulada Tempo de Futuro, prometeu que vai consolidar um caminho iniciado em 2022 e que «demonstrou o CDS como um partido fundamental numa direta que soma, mas que também é responsável, garantindo estabilidade ao serviço de Portugal», destacando ainda o regresso ao Parlamento e ao Governo, através da coligação com o PSD, além da presença autárquica e nos governos regionais. «É a partir desta força que, juntos, faremos nestes próximos dois anos do CDS um partido mais forte e mais afirmativo», sublinha.

 No entanto, à margem da apresentação da moção, e quando questionado sobre as críticas de que a sua liderança tem sido alvo, particularmente sobre a falta de afirmação do partido na AD, Nuno Melo disse apenas que «gostava de ver quem fizesse melhor».

Aliás, essa é umas das críticas da JP, cuja moção também vai ser discutida no congresso e que defende que o CDS-PP deve concorrer sozinho a eleições, reafirmando um «projeto político próprio», rejeitando, no entanto, a inércia institucional e defendendo a reconstrução do partido.

Ao SOL, o líder parlamento do partido já tinha referido que «o CDS é um partido plural» e que, apesar de não se rever na análise da JP, reconhece-lhe «toda a autonomia». Já quanto à hipótese de avançar sozinho a eleições, Paulo Núncio lembrou que «a natureza de um partido é estar preparado para ir a eleições sozinho» e que a vocação de um partido «é afirmar posições políticas, é defendê-las e é procurar obter a confiança dos eleitores que se revejam nessas mesmas decisões», recordando que tem ido a eleições sozinho, dando como exemplo o que aconteceu na Madeira e nas eleições autárquicas.

 

Recuperar bandeiras

Por seu lado, Nuno Correia da Silva disse ao SOL que defende que o CDS «tem de criar um espaço próprio e ter fronteiras bem definidas», referindo que «estar no Governo é importante, ter deputados é importante, mas mais importante é a forma como influencia estando no poder». E o candidato não hesita: «Temos de nos fazer sentir com bandeiras próprias, nomeadamente aquelas que sempre foram identitárias do CDS. Fomos o partido dos contribuintes e temos de o voltar a ser».

Já em relação à hipótese de o CDS ir ou não sozinho aos próximos atos eleitorais, o candidato afirma que «o partido tem de ter o seu espaço político e estar preparado sempre para avançar sozinho». E acrescenta: «Se em determinado momento, quando as eleições chegarem, entendermos que a melhor forma de servir o país é irmos coligados e se a coligação for uma de soma de partes e não de divisão de partes então poderá fazer sentido ir coligado».